Comissão Multissetorial desconhece fonte de transmissão da Covid-19 a nove pessoas

O Ministério da Saúde (MINSA) desconhece, até ao momento, o vínculo epidemiológico de nove pacientes com Covid-19 detectados em diversos municípios da província de Luanda, reconheceu, ontem, a titular da pasta, Sílvia Lutukuta

A governante anunciou, na habitual conferência de imprensa de actualização dos dados sobre a pandemia em Angola, que foram detectados, ontem, mais três novos casos, dentre os quais resultou no óbito de uma cidadã, de 66 anos idade, ocorrido no Hospital Militar de Luanda.

Neste momento, os dados estatísticos indicam, nas últimas 24 horas, a existência de 186 casos positivos, dos quais 10 resultaram em óbito, 77 estão recuperados e 99 estão activos e clinicamente estáveis, assistidos em unidades sanitárias de referência.

Os últimos casos registados, nas últimas 24 horas, tratam-se de uma criança de dois anos de idade, assintomática, contacto directo de um caso positivo de 36 anos. Este por seu lado, é um caso positivo com sintomas moderados.

Sílvia Lutukuta esclareceu que o terceiro caso envolve uma senhora de 66 anos de idade que deu entrada no Hospital Militar Central na noite de Domingo com um quadro respiratório grave. Porém, o seu estado clínico agravou-se ainda mais e acabou por morrer três horas após a sua admissão, tendo testado positivo no exame de Covid- 19.

Por outro lado, garantiu que foram tomadas todas as medidas de saúde pública em relação aos contactos destes três casos testados positivo.

“Do balanço que fazemos, de acordo com o vínculo epidemiológico, temos um total de 57 casos importados, 120 casos de contaminação local e nove com vínculo epidemiológico desconhecido”, revelou.

Do ponto de vista laboratorial, a ministra disse que o país tem um acumulado de 20. 140 colheitas e já foram processadas e testadas positivas 186 amostras e 16.530 amostras tiveram resultado negativo, sendo que as restantes estão em processamento.

Disse ainda que 740 pessoas observam a quarentena institucional em todo o país, enquanto dez pessoas na província de Luanda tiveram alta e uma em Cabinda.

A cifra dos casos sob investigação é de 415 pessoas suspeitas e os contactos dos casos suspeito sob vigilância são 1.345.

No período em referência, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu 73 chamadas, das quais uma denúncia de violação do estado de calamidade e 72 pedidos de informação sobre a Covid-19.

Aumento de casos adia abertura das igrejas de Luanda e Cuanza-Norte

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, informou, ontem, que as igrejas nas províncias de Luanda e do Cuanza-Norte vão continuar encerradas pelo facto de se registar nas últimas semanas aumento de casos de Covid-19.

“Apesar de termos feito uma projecção no Decreto do Estado de Calamidade em que estimávamos que os locais de culto e de cerimónias religiosas abririam no dia 24, tal não vai acontecer nas províncias de Luanda e Cuanza-Norte por causa da situação epidemiológica actual. Temos tido um aumento considerável de casos nas últimas semanas”, recordou.

De salientar que o Decreto Presidencial sobre o Estado de Calamidade determina que a partir de 24 de Junho as igrejas reabririam com limitação de até 50 por cento da capacidade dos locais de culto e não superior a 150 pessoas.

Jovens chamados a cumprir as medidas de protecção individual e colectiva

“É importante aqui fazer uma chamada de atenção, porque temos observado um grande incumprimento das medidas de protecção individual e colectiva que nós temos estado a advertir diariamente”, frisou.

Segundo a governante, tem havido muita gente nas ruas e muitos aglomerados sem respeitar o distanciamento entre as pessoas de pelo menos dois metros e sem o uso da máscara que ajuda no corte da cadeia do vírus.

“Vai aqui um alerta aos nossos jovens: reiteradamente observamos neste grupo, em particular, o incumprimento das medidas de protecção individual e colectiva”, alertou.

Sílvia Lutukuta afirmou a importância do uso da máscara, salientando que ajuda e protege contra está doença de fácil contágio e não é só.

Explicou que a máscara não é para pôr debaixo do queixo, mas para colocar a tapar a boca e o nariz, uma vez que a porta de infecção do vírus é através destes dois órgãos citados e os olhos. A progressão da doença dependerá do trabalho de pessoas individuais e colectivas.

Laboratório do INIS retoma a actividade hoje, depois de descontaminado

A porta-voz da Comissão Multissectorial para a Prevenção e o Combate à Covid-19 esclareceu que o laboratório do Instituto Nacional de Investigação em Saúde já foi descontaminado e desinfectado ontem e hoje retoma a actividade com normalidade.

Em relação aos funcionários administrativos deste laboratório que testaram positivo, Sílvia Lutukuta esclareceu que um deles não estava em actividade, sendo que, apenas foi fazer o seu rastreio.

Já o outro caso é de um jovem administrativo que fazia parte das equipas de trabalho que estava em isolamento, distante da família, num dos hotéis onde estão os profissionais. Garantiu que as medidas de saúde pública estão a ser tomadas.

Por esta razão, explicou que não há necessidade de se fazer uma cerca sanitária num local estratégico que é o laboratório, em que, em primeira instância são as pessoas que melhor cumprem as regras de protecção, usam todos os equipamentos de bio-segurança para trabalharem em segurança.

Cuanza-Norte conta já 160 amostras negativas e quatro positivas

Sílvia Lutukuta disse que, em relação à província do Cuanza- Norte, estão a fazer a avaliação epidemiológica profunda para ter conhecimento das reais condições e a fazer testagem do pessoal que se encontra nas zonas onde foram montadas cercas sanitárias.

“Queríamos dar aqui nota de que das amostras que vieram do Cuanza-Norte, que englobam o grupo de casos positivos, nós tivemos já três remessas. Uma primeira com 40 amostras, depois de 60 e mais 60.

Portanto, já chegaram cá a Luanda 160 amostras e todas, com excepção das quatro, foram negativas”, garantiu.

“Não vemos razão nenhuma para os médicos se manifestarem”

Questionada sobre uma possível greve dos médicos, a ministra da Saúde explicou que durante essa legislatura foram realizados os maiores concursos públicos no sector da saúde de todos os tempos.

Entretanto, recordou que tiveram um concurso público em 2018 cujos ingressos saíram em 2019, em que se admitiu para a função pública um total de nove mil e 250 profissionais novos. Já em 2019 realizaram um concurso de admissão de sete mil profissionais, com os enquadramentos a ocorrerem em 2020.

Explicou que no universo dos profissionais, os médicos foram a classe com um número considerável de vagas.

Assim sendo, disse que as admissões não podem ser feitas de formas arbitrárias, salientando que esse concurso teve pressupostos fundamentais como a nota de final de curso, o exame público bem como a avaliação que era transversal para todo o país.

De acordo com Sílvia Lutukuta, o concurso primou pela transparência, equidade e sem facilitismos de ninguém. Tinham 1.240 vagas disponíveis, entre as quais 200 vagas para médicos especialistas, e que apenas 120 médicos especialistas ocuparam as vagas, sobrando 80 vagas.

Para os outros médicos, disse que as vagas não chegaram, apesar de terem boas notas. Contou que ainda têm 160 médicos por colocar com notas positivas, mas que estão a fazer uma avaliação, uma vez que há sempre aqueles que não querem entrar porque foram transferidos para outros locais do país.

“Portanto, nós não vemos razão nenhuma para os médicos se manifestarem, porque quem não teve positiva não vai mesmo entrar. Não tem condição”, garantiu, enfatizando que as manifestações estão proibidas durante o estado de calamidade.

Prorrogados prazos de reinício das aulas no ensino primário e secundário

Sílvia Lutukuta disse que o Ministério da Educação está a trabalhar no sentido de criar os mecanismos de bio-segurança nas escolas e adoptou outras medidas para o ensino primário e secundário.

Esclareceu que foi adiada a data de reinício das aulas para existir tempo suficiente para se criar as condições de biosegurança nas escolas.

Reiterou a necessidade de se educar as crianças a usar correctamente a máscara e que há aquelas, artesanais, que chegam a ser mais baratas. O seu uso é que é muito importante.

Por outro lado, disse que o país tem vários centros de hemodiálise e a sua instituição, o MINSA, tem apoiado esses centros com material de bio-segurança, quando é solicitado.

error: Content is protected !!