O bronze e a memória da alma

A história está em revisão permanente, o que é bom, sobretudo quando esta revisão é feita com trabalho científico, bem assente em pesquisas aturadas e que juntem muitas pontas para construir ideias.

Entretanto, não raras vezes os homens são tentados a refazer a história, iludem-se quando pensam que a destruição do legado físico ou da imagem de alguém refaz, por si só, a história. o melhor caminho é sempre fazer diferente, apenas isso, quando reprovamos o passado.

Há a imagem histórica dos nazis a queimar livros, há a imagem de estátua de Saddam Houssein a ser derrubada, nenhum destes momentos foi um recomeço, o passado continua a estar no passado, mas não pode ser apagado.

Agora há a investida contra os homens de bronze, ou de pedra, em capitais europeias e americanas, a raiva é antiga, a razão contra a celebração de colonialistas ou comerciantes de escravos está no lado da ira, da indignação, de uma forma nova de ver o mundo, as pessoas, o sentido de dignidade.

É bom que esta razão seja mais forte ainda no sentido de construir um futuro diferente. Diferente deste passado que fica no passado e que nunca será apagado.

De facto, a melhor forma de derrubar estátuas e imagens, pelo muito que nos incomodem, não pode ser apenas isso: derrubar fisicamente.

É preciso fazer diferente para melhor. É que a memória se constrói na alma.

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