Autoridades em Benguela preocupadas com sistemáticas violações na cerca sanitária da Canjala

A cerca sanitária da Canjala, ponto de entrada e saída de e para a província de Benguela a Norte, regista uma média diária de 7 violações. Os camionistas são apontados como os promotores de tais desrespeitos ao preceituado do Decreto Presidencial nº 142/20, que estabelece o estado de calamidade pública

Se de um lado está a ministra Sílvia Lutukuta a referenciar a cerca como sendo a melhor a nível do país em termos de controlo, do outro, há manifesta fragilidade naquele ponto, daí que as autoridades falem em reforçar cada vez mais o sistema de segurança na Canjala, município do Lobito.

Face àquilo a que chama de apetite de entrada em território por si dirigido, o governador provincial de Benguela, Rui Falcão, tem se deslocado regularmente à comuna da Canjala, para avaliar o estado operacional das forças e dos técnicos de saúde lá destacados, avisando, entretanto que não haverá contemplações para os que insistirem em tais violações, pois o único propósito que move o Governo local a agir como está é impedir a propagação da Covid-19, salvaguardando, deste modo, um bem maior, a vida.

O governante defende a necessidade de as empresas de camionagem apelarem que os seus funcionários cumpram rigorosamente as regras impostas pelas autoridades. E mais, esclarece Falcão, é preciso não confundir mercadorias com pessoas, argumentando que “não estamos a trabalhar para impedir que os bens industriais circulem, o que nós não queremos é que as pessoas tragam outros níveis de infecção para a província”.

Os cidadãos que violam a cerca sanitária de Luanda com destino a Benguela têm vindo a adoptar, para insatisfação das forças da ordem, novos modus operandi.

Segundo uma fonte da Comissão Multissectorial em Benguela, que não se quis identificar, os cidadãos andam a reboque de camiões a troco de 3 a 4 mil kwanzas e a 5 a 6 quilómetros de distância do ponto pedem que o condutor pare e eles põem-se a andar pelo matagal adentro, contra todos os riscos, encontrando o carro um pouco mais adiante.

A mesma fonte esclarece que, neste particular, em alguns casos, contam com a boa vontade de moradores de aldeias nas redondezas, que denunciam elementos estranhos que avistem a circundar nas suas localidades.

De acordo com a fonte que temos vindo a citar, se fosse para envolver os serviços de justiça, os tribunais fundamentalmente, em todo os casos de violação, a província confrontar-se-ia, ainda mais, com casos de sobrelotação nos seus estabelecimentos penitenciários.

Mas, ainda assim, o tribunal da comarca do Lobito condenou 13 cidadãos a dois meses de pena suspensa, estando estes a cumprir quarentena institucional na Vila Olímpica, ao Kawango, zona do município de Benguela.

Questionado se estaria preocupado com o novo modus operandi de alguns cidadãos, Rui Falcão, o timoneiro de Benguela, diz que têm vindo a detectar várias irregularidades desta natureza e continuar-se-á com este trabalho operacional, impondo cada vez mais rigor.

No local, a equipa de reportagem deste jornal constatou algumas tentativas de cidadãos ludibriarem as forças da Ordem. O caso mais flagrante é do cidadão Pedro Nguindo, que escondeu uma cidadã no interior de um lugar no seu camião destinado apenas a reboque de mercadorias.

A OPAÍS, o camionista alegou ter sido mandatado por um agente da Polícia Nacional destacado no posto de controlo do Sumbe, facto não confirmado pelo referido posto, segundo o comandante municipal da Viação e Trânsito e Segurança Rodoviária, Gilson Pedro, que manteve contacto com os agentes do Cuanza-Sul.

Constantino Eduardo, em Benguela

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