Caso IURD: pastores em Benguela tomam de assalto à gestão do património

Catorze pastores da igreja Universal do Reino em Benguela tomaram de assalto na Segunda-feira, 22, a gestão do património da igreja em posse da ala brasileira e reiteram as denúncias de desrespeito e racismo, conforme sustenta o manifesto que a liderança brasileira se recusa a receber

O pastor Adélio dos Santos Jorge justificou que a intenção dos pastores locais, a dois dias da reabertura das igrejas no quadro da situação de calamidade pública, é serem eles próprios a assumirem a gestão do património da igreja, facto que, em simultâneo, estaria a acontecer nas 18 províncias do país.

Segundo Adélio, os pastores angolanos estão fartos das injustiças de que tem sido alvo por parte da ala brasileira. Contou que não foram expulsos, tampouco obrigaram pastores a assinarem o manifesto, tal como faz crer a liderança brasileira. Adélio dos Santos diz ter sofrido retaliações por, alegadamente, ter engravidado a esposa com quem está casado há 10 anos. “É minha própria esposa. Eu sofri retaliações da parte da liderança brasileira.

Estamos a reclamar também da evasão de divisas”, esclarece o pastor, que encabeça uma manifestação no cenáculo de Benguela, sita na rua António Agostinho Neto, à estrada principal.

Adélio dos Santos, que há 17 anos serve o altar como pastor, diz haver manifesta intenção da parte da ala brasileira de vender a sede da IURD em Benguela, a que chamam de “Cenáculo Maior”, que custou milhões de dólares, fruto de contribuições dos fiéis, para fins inconfessos.

Falando à imprensa, o pastor, sempre incisivo nas suas críticas, reclama do facto de toda a estrutura administrativa da igreja estar a ser liderada por um brasileiro de nome Edmilson Sousa, que discrimina pastores angolanos.

“Em todo o país, nós, os pastores nacionais, decidimos romper mesmo com a actual liderança da igreja”, justifica, para quem, em Benguela, apenas dois pastores, um dos quais de nacionalidade moçambicana, se encontram ainda aliados à ala brasileira, todos os outros romperam com esta por já não se reverem nela.

“Atenção, nós somos pastores activos”, garante, exibindo o seu passe de identificação pessoal aos jornalistas presentes no local. Em defesa dos pastores brasileiros, que, entretanto, não se quiseram pronunciar, interveio Francisco Aníbal, conhecido como obreiro Chico.

O obreiro, que diz ter legitimidade para falar da igreja por estar nela há 20 anos, refere que os pastores estavam conscientes quando assumiram os termos a que foram sujeitos para a sua consagração. Se hoje têm o despeito de rejeitar, é falta de coerência “Isso aqui é uma pouca-vergonha”, considera.

Obreiros que se manifestam solidários com os pastores brasileiros acusam os seus conterrâneos de serem arruaceiros e indisciplinados, argumentando que tudo terá começado quando a direcção brasileira passou a impor duras regras de convivência, facto que não terá agradado os pastores que agora protestam.

O obreiro Francisco Aníbal sustenta que a reivindicação dos pastores não tem razão de ser, lamentando o que actualmente ocorre no seio da IURD um pouco pelo país.

O pastor Adão Mazuela, em resposta, argumenta que um simples obreiro não tem noção do que efectivamente se passa e jamais teria argumento para falar com propriedade sobre a gestão da igreja, pois não participa em regiões restritas de cúpula. Logo, sustenta o pastor, não conhece por dentro os meandros de gestão dos recursos.

Constantino Eduardo, em Benguela

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