Cultos católicos poderão ser realizados em espaços abertos com mais de 150 pessoas à excepção de Luanda e Cuanza-Norte

A igreja Católica no país poderá realizar aos Domingos celebrações no interior e no exterior dos Templos, de forma a atender o número de fiéis que ali se dirigirem, pautando-se por medidas preventivas contra a pandemia da Covid- 19, como a higienização das mãos e o distanciamento de dois metros, conforme recomendado pelo Executivo. Porém, o mesmo não poderá ainda acontecer nas províncias de Luanda e Cuanza-Norte

A presente medida consta no documento normativo designado “Normas de culto público Católico”, elaborado pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), com base no arranque das actividades religiosas com 150 fiéis, com previsão de retoma amanhã, 24, conforme define o Decreto Presidencial de 25 de Maio sobre a Situação de Calamidade Pública.

Entretanto, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta anunciou que tal não vai acontecer nas províncias de Luanda e Cuanza-Norte, por registarem casos positivos de Covid-19 em número crescente.

Em conferência de imprensa realizada ontem, em que estiveram presentes o Arcebispo de Luanda e presidente da CEAST, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, o presidente da Comissão Episcopal da Justiça, Paz e Emigrações e Arcebispo do Lubango (Huíla) Dom Gabriel Bilingue e o Bispo da diocese de Viana, Dom Emílio Sumbelelo, em que foram apresentadas todas as medidas que vão reger as actividades religiosas na Igreja Católica e em outras congregações, o bispo de Viana, Dom Emílio Sumbelelo, esclareceu que no exterior das igrejas, ao ar livre, os cultos poderão ser realizados com mais de 150 fiéis (conforme foi orientado pelo coordenador da Comissão Intersectorial) com o asseguramento da dignidade litúrgica e o respeito pelas normas sanitárias, a fim de descongestionar as igrejas com maior afluência de fiéis e para se evitar que alguns sejam mandados de regresso à casa, devido à lotação das igrejas.

Noutro caso, conforme explicou, poderão as igrejas realizar mais de uma missa naquele dia, para assim atender o seu público.

“Cada paróquia tem essa liberdade, de realizar o número de missas que achar necessário, sem que vá contra aquilo que o próprio direito canónico prescreve quanto ao número de missas” apelou aos prelados.

Suspensas missas infantis

Quanto aos critérios paroquiais, foi eliminada a missa infantil, mas, em contrapartida, os petizes poderão acompanhar os pais. Para melhor orientação, disse que irá funcionar uma equipa de comissão protocolar, que vai trabalhar para auxiliar no cumprimento das medidas preventivas, assim como médicos da comissão nacional de saúde, que trabalha com as comissões diocesanas, que estarão presentes durantes os cultos, para possíveis intervenções.

“Na ‘minha diocese’, de Viana tenho uma equipa de 15 médicos. Mas, a nível das outras paróquias teremos cerca de sete. Essa comissão trabalha com as comissões paroquiais. Há também um trabalho de higienização que está a ser feito em todas as comunidades, paróquias e missões, naturalmente, dentro daquilo que as próprias condições vão permitindo”, esclareceu.

No documento é ainda acautelada a presença de fiéis que se encontram no grupo de risco, como os idosos, hipertensos e diabéticos. Estes serão aconselhados a não frequentar a Missa Dominical, indo apenas naquelas realizadas durante a semana, ou em missas vespertinas.

O Bispo de Viana referiu que as presentes medidas visam vincar a seriedade e a responsabilidade que o momento exige, que, de certo, serão seguidas no desempenhar das actividades religiosas, durante a pandemia.

Orientações

O documento, composto por 71 números é agrupado em três títulos, cujas normas são especificadas. O primeiro “Antes da celebração Eucarística”, está relacionado com as preocupações a serem tidas em conta desde a chegada dos fiéis à igreja até à sua saída, entre elas a higienização das mãos, uso de máscara, o distanciamento entre os praticantes, de dois metros de distância.

Dom Emílio Sumbelelo referiu que as presentes normas tiveram em conta o Decreto Presidencial, bem como as experiências tidas em outras conferências Episcopais Católicas, e, que, sobre o assunto, tiveram ainda uma palavra orientadora para as respectivas igrejas particulares.

“Elas são o fruto de trabalho intenso e o reflexo de todo o Episcopado Angolano. Nelas se espalham, por um lado, a preocupação dos bispos, enquanto pastores de rebanhos a eles confiados por Nosso Senhor Jesus, e, por outro lado, a responsabilidade de se diminuir, quanto possível, e, se não mesmo, estancar a doença. Que Deus nos dê auxílio para evitar a propagação da doença entre os angolanos”, vaticinou o bispo.

Neste capítulo, o segundo título das normas que vão regular as actividades religiosas, tem a ver com o decorrer “da celebração da Eucaristia”. A mesma tem como objectivo readaptar as normas e comportamentos habituais aos fiéis, durante a celebração eucarística, com base na nova realidade, tendo em realce a higienização das mãos, o não contacto físico e o arejamento do lugar e pontos de contactos.

Já o terceiro e último, relacionado com “outras celebrações e actividades pastorais”, está ligado aos actos celebrativos, como o baptismo de crianças, a iniciação cristã de adulto, a confirmação, a primeira comunhão, o sacramento da reconciliação, a unção dos enfermos, às ordenações, o matrimónio e as exéquias dos cristãos.

Dom Emílio realçou que, a todos esses actos litúrgicos celebrados, não poucas vezes, dentro da moldura eucarística, aplicam-se as regras relativas à higienização e ao distanciamento. No tocante aos matrimónios e baptismo, quanto ao número, disse que está orientado que seja adaptado com base na realidade, como a redução do número de fiéis, que permitirá a sua realização em dias seguidos, de forma faseada, por forma a ir ao encontro dos direitos dos fiéis.

“O que se deverá chamar a atenção é o ajuntamento do pessoal que irá a celebração. Há uma orientação dada a todos os bispos, que tudo dependerá da leitura pontual de cada um, enquanto responsável pastoral da sua diocese. Se vir que, de facto, a situação não é aconselhável para que tenha, por exemplo, a catequese nos moldes tradicionais que temos tido, ele terá a uma última palavra por dizer”, explicou o responsável.

Avançou que as normas são aplicáveis a todo o território da CEAST, incluindo em São Tomé, vistas como complementaridade a aplicação do princípio de caridade entre os irmãos. A mesma é ainda acompanhada de uma tabela com “Orientações e recomendações”, para os párocos enquanto ‘pastores próprios’ das suas comunidades e de um “termo de responsabilidade”, para o cumprimento das mesmas.

Cumprimento obrigatório

O presidente da Comissão Episcopal da Justiça, Paz e Emigrações, Dom Gabriel Bilingue, avançou que as normas são condicionadas ao que as autoridades competentes determinam em relação ao evoluir da pandemia.

Lembrou que, dependendo do comportamento social dos fiéis, com relação às medidas estabelecidas, poderão alongar ou reduzir o tempo para fazer vigorar as normas, neste caso para o culto público católico e outras actividades conexas, a missão da igreja.

“De acordo com o presente Decreto, as actividades como educativas, o funcionar dos 100 por cento daquilo que era normal antes da pandemia, vai depender do evoluir da situação epidemiológica.

Esta é a primeira nota, condicionando-a, justamente, ao pensar das mesmas autoridades que, no decreto, citam que poderemos retomar, caso se verifique aquilo que são as medidas de prevenção previstas para a aglomeração de um determinado número de pessoas”, averiguou o também arcebispo do Lubango.

De salientar que a missa ou a celebração eucarística é o principal momento de culto da Igreja Católica Apostólica Romana, sendo esta dividida em dois momentos: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística, a primeira é precedida de ritos iniciais, enquanto a segunda é seguida de ritos de conclusão.

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