Setenta e uma pessoas morreram afogadas em Luanda na última época balnear

Deste número, nove são crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos. O uso de bebidas alcoólicas e banhos em locais proibidos continuam a ser as principais causas. No entanto, as autoridades dizem existir uma diminuição dos casos comparativamente ao período anterior

A informação foi prestada ontem a OPAÍS pelo porta-voz dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB), Faustino Minguês, tendo realçado que as mortes por afogamento ocorreram em praias, rios, lagoas, valas de drenagens, tanques e outros reservatórios de água.

No período compreendido entre 15 de Agosto de 2019 e 15 de Maio de 2020 houve um desequilíbrio grande entre o número de mortos em mulheres e homens, sendo que os últimos aparecem com 69 casos, contra apenas dois das primeiras.

Nas estatísticas chama ainda a atenção o número de crianças menores entre os 0 e 14 anos que também perderam a vida vítimas de afogamento no período em referência, correspondendo a nove. Faustino Minguês disse que dentre as vítimas mortais estão também 29 jovens dos 15 aos 24 anos, 33 adultos com idades compreendidas entre os 25 e os 64.

O oficial dos bombeiros frisou que dentre as principais causas na base dos afogamentos estão o uso de locais proibidos, a fraca aptidão na natação e o uso de bebidas alcoólicas. Os bombeiros em Luanda controlam cercam de 54 praias, 24 das quais proibidas, onde também se tem registado várias mortes, apesar das placas de sinalização nelas existentes que servem de alerta para a população.

Aliás, as praias continuam a ser o local com maior número de afogamentos, tendo nelas se registado 45 vítimas. O interlocutor de OPAÍS mostrou-se preocupado com o canal do Kikuxi, que continua a causar várias fatalidades.

As residências inundadas em tempo de chuva também contribuíram para as estatísticas, principalmente no distrito urbano da Cidade Universitária, no município de Talatona.

O ano de 2019 foi pior

O porta-voz dos bombeiros disse que apesar dos números elevados, houve um trabalho árduo da corporação em 2020 que resultou na diminuição de nove casos comparativamente ao ano de 2019.

Justificou a diminuição com a intensificação de mais de 15 mil actividades de sensibilização aos banhistas sobre os cuidados a observar no meio aquático e os mais de mil e 100 patrulhamentos preventivos realizados ao longo da orla costeira.

A intervenção dos bombeiros contribuiu ainda para o salvamento de mais 175 pessoas que estavam na iminência de afogamento.

Com a pandemia da Covid-19, os decretos presidenciais de Estado de Emergência e, depois, de Calamidade Pública (este em vigor), estipulam a restrição de banhistas às praias, o que, segundo Faustino Minguês, poderá contribuir significativamente na diminuição de casos na época balnear em vigor, apesar da insistência de alguns populares.

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