A cartilha do COVID-19

Após 6 meses do início da disseminação do COVID- 19, ainda se mostra difícil saber como é que tudo voltará ao seu eixo, de que forma os consumidores irão actuar, quais serão as suas inclinações e que tipo de estratégias laborais terão doravante para que os negócios e os trabalhadores se mantenham relevantes.

As pessoas são naturalmente resistentes a mudanças, umas mais do que as outras, mas a rotina cria nas suas vidas uma sensação de estabilidade e segurança. Por isso, é expectável que ainda haja muita gente que crê que nos próximos tempos possamos voltar para o mundo que existia anteriormente, o que infelizmente, pode se tornar um desejo demasiado ambicioso por implicar o pensamento irrealista sobre a descoberta da vacina, o modo como as pessoas passarão a lidar umas com as outras, o papel dos agentes económicos. Mesmo porque, até com a descoberta de uma vacina, o mais provável é que passemos por uma transição para um normal, desta vez, com várias sequelas deste período de receio, distanciamento e confinamento.

Isso fará com que as empresas sejam obrigadas a redefinir os seus modelos de negócios em cada uma das fases da pandemia, para que possam adaptar-se a nível de trabalho e personalizar a forma de prestação dos serviços e dessa forma manterem-se relevantes no mercado. Para estas, a única certeza é que por mais que se tentem estabilizar e encontrar um equilíbrio, a forma de actuar no mercado vai ser alterada, o que fará com que seja uma viagem contínua de adaptabilidade e para alguns, sem boia de salvação.

Contrariamente a outras crises financeiras, não se trata apenas de uma recuperação em “V” (descida e posterior recuperação), isso porque esta não é apenas uma situação de crise financeira, é também uma crise social e psicológica em que um novo tipo de contrato social será estabelecido, forçando a olhar mais além do esperado sobre como tratar tanto os trabalhadores, como os clientes.

Na primeira fase, a tomada de decisões das empresas (umas mais rapidamente do que outras) relativamente a adopção de sistemas informáticos, maior divulgação da marca e a mudança do modo de trabalho, foram fulcrais para a subsistência da empresa e a manutenção dos postos de trabalho. Vimos empresas a darem mais destaque aos Técnicos de Informática, que até agora tinham um posto passivo, meramente de suporte e a adopção do termo “Trabalhador Essencial” para definir aqueles que não podem trocar a sua forma de trabalhar.

A segunda fase foi de cepticismo, olhar à volta e tentar imitar o que os outros estavam a fazer enquanto se aguardava pelas adaptações das instituições públicas, dos Estados e por algum pronunciamento positivo por parte da OMS.

A terceira fase estamos a vivê-la agora com a adaptação ao teletrabalho e a criação de formas de avaliação de desenvolvimento dos trabalhadores, enquanto simultaneamente os líderes perscrutam o estado da empresa de forma a amainar os impactos negativos.

A realidade é que veremos muitas mais fases, conforme for havendo mais ou menos casos, ou qualquer outro factor que venha mudar o rumo do mundo, até agora imprevisível. Neste momento, a única certeza é que teremos todos que criar habilidades essenciais para nos mantermos relevantes, porque cada vez mais, as pessoas que conseguirão prosperar, seja como líder de uma empresa ou como trabalhador, serão as que conseguem aprender e adaptar-se às circunstâncias. Teremos que continuamente sair da caixa para tornar exequível a prestação de trabalho e a sua subsistência.

Igor Fortes Gabriel

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