Aos socos por “Deus”

O que está a acontecer na IURD era mais do que previsível, tão grande era o desfile arrogante da certeza da impunidade que permitia até publicitar em espaços públicos águas “milagrosas” capazes de curar tudo, o que agora, quando se precisa, nem o banho (se calhar) com ela salvou o seu líder Edir Macedo, que apanhou a Covid-19 e esteve internado num hospital. Precisou de cuidados médicos, de medicamentos de verdade, não de uma mão na testa ou de um gole de água, ou de outra coisa qualquer. Eles que fazem milagres até pela rádio…

A base é demasiado frágil para que aquilo se aguente sem que se reforme, procurando o caminho da razão e da fé verdadeira. Sendo apenas uma multinacional de crimes como os que alegam os pastores angolanos, se for verdade, não irá longe.

O pior é que é tudo feito em nome de Deus, até a actual disputa por património que se faz aos socos. Mas o Estado deve intervir de imediato, para parar com uma sequência que pode ter consequências piores, para garantir também a segurança dos pastores brasileiros e até para julgar uns e outros pelas agressões e pelos crimes de que se acusam mutuamente e não se percebe por que razão o Estado não dá sinais de estar a investigar. As acusações de exportação ilícita de dinheiro não são coisa nova, como se sabe.

As igrejas reabrem hoje, em consonância com o estabelecido no decreto de calamidade pública, que as autoridades estejam atentas, que os fiéis pensem no seu Deus verdadeiro.

error: Content is protected !!