Carta do leitor: Os casos desconhecidos

Por: Luís Regalo
Viana-Luanda

Há alguns dias que as autoridades sanitárias do país não conseguem explicar a origem de alguns casos que vão surgindo. O relato epidemiológico garante causas ainda não apuradas, o que pressupõe que caso se confirme um cenário mais terrível mais alguns angolanos já poderão estar contagiados.

Ao contrário do que se diziam as previsões, ainda estamos longe dos indicadores avançados inicialmente pela Organização Mundial da Saúde. Não são os 10 mil casos, como se prognosticava, mas ainda assim todo o cuidado é pouco. A cada dia que passa há casos novos, longe das semanas em que havia dias em que não se registavam casos.

Impõe-se uma nova postura por parte das autoridades, do mesmo modo que as pessoas devem rever a sua forma de actuação. Não é em vão que o secretário de Estado da Saúde, o célebre Dr. Mufinda, esteja a alertar para adopção de novos comportamentos, o que, se calhar, pressupõe que piores dias virão. Recuar, pelo que sei, nunca deve ser problema.

Aliás, olhando para aquilo que tem sido a realidade em alguns países, africanos e até europeus, não espanta que se venha a endurecer as medidas de bio-segurança, caso a situação não seja tão favorável para os desígnios das próprias autoridades. Mas, ainda assim, é importante que se procure esclarecer exactamente em que pé nos encontramos.

Não basta usar termos difíceis de serem interpretados. É preciso que se faça com que as pessoas percebam o que se quer. Eu acho que nesta fase é importante que se comece mesmo a dizer às pessoas que estamos praticamente num momento de contaminação comunitária. Talvez assim se perceba, de uma vez por todas, que os próximos dias dependem mais das nossas acções do que do próprio Executivo.

 

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