Angola regista 32 casos positivos num só dia

As autoridades sanitárias detectaram 32 novos casos de Covid-19 ontem, sendo 28 em Luanda e quatro na província do Cuanza-Norte, dos quais, seis 6 casos com vínculo epidemiológico em estudo, revelou o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda

O país atingiu novo record ao detectar o maior número de infectados no só dia, desde que se registou os primeiros casos. Os 32 casos positivos, registados nas últimas 24 horas, perfazendo um total 244 casos confirmados, dos quais 10 resultaram em óbito, 153 estão activos e há 81 recuperados. A transmissão local passa a contar com 183 casos.

Em relação aos pacientes detectados ontem, explicou que se trata de 28 cidadãos da província de Luanda e quatro do Cuanza-Norte, com idades compreendidas entre os três e 82 anos, sendo 26 do sexo feminino e seis do sexo masculino.

Franco Mufinda, que falava na habitual actualização diária do balanço sobre o ponto de situação epidemiológica no país, esclareceu que 26 casos são contactos directos de cidadãos positivos diagnosticados, designadamente, os apelidados de casos números 133, 146 e 217.

Dentre os três, no historial do caso 133 fica registado o contágio do vírus a 12 pessoas, o caso 146 a seis pessoas e o 217 a oito pessoas. Segundo Franco Mufinda, os mesmos foram diagnosticados na última semana e, por esta altura, se encontram em quarentema institucional.

Esclareceu que seis casos por enquanto não têm vínculo epidemiológico encontrado, tendo detectados nos centros sentinela que estão a fazer rastreios aos doentes que procuram os serviços em primeira instância por doenças respiratórias agudas e também amostras aleatórias.

Sobre as suas localidades, explicou que a mais afectada é Luanda, desde o início da pandemia, quer com os casos importados, quer com os de transmissão local, sendo que os casos sem vínculo epidemiológico são do Cazenga, Talatona, Maianga, Belas e Ingombota.

Segundo o secretário de Estado para a Saúde Pública, continuam a trabalhar com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e seus critérios de saúde pública na definição dos cenários epidemiológicos existentes.

Fez saber que se tem de facto conglomerados em que o número de casos é mais elevado que outros, como fez referência aos cinco municípios apontados.

“Reafirmamos que, por enquanto, os conglomerados não preenchem os critérios de transmissão comunitária com sustentadas de casos. Só podiam ser se na verdade a gente tivesse grandes surtos, ou seja, número elevado de casos confirmados em que não se consegue encontrar as cadeias de transmissão ou, pelo menos, olhando o número de testes positivos realizados e encontrado nos centros das sentinelas”, garantiu.

À procura da fonte dos 26 casos com vínculo epidemiológico desconhecido

O governante explicou que em Angola, em particular Luanda, que é o epicentro da Covid-19 no país, por enquanto, os centros sentinela são todos os estabelecimentos de nível terciários com bancos de urgências, as grandes clínicas privadas e o Hospital Militar.

“Informamos que temos, nas últimas semanas, um acumulado de 26 casos sem vínculos epidemiológico, todavia, o Ministério da Saúde continua a investigar e a trabalhar nesses conglomerados e nas áreas circunvizinhas, reforçando as medidas de saúde pública e fazendo a testagem aleatória”, afirmou.

Por outro lado, Franco Mufinda contou que pelo menos 10 doentes dos centros sentinela tinham manifestações clínicas respiratórias de ligeiras a graves e um caso com manifestação neurológica.

Face a isso, reiterou que a situação inspira cuidados redobrados de todos, a título individual e colectivo, e que as pessoas não devem, de forma alguma, prescindir das medidas de bio-segurança. “Devemos aceitar que a doença existe, que ela é de fácil transmissão e mata. Continuamos a apelar ao acatamento das medidas que são cumprimento obrigatório”, apelou.

O secretário de Estado para a Saúde Pública, explicou que o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) registou algumas chamadas.

Laboratórios com média de 400 amostras/dia

Sobre a capacidade de processamento do laboratório, salientou que a média de análises está à volta das 400 amostras processadas diariamente.

No que tange as medidas de prevenção, esclareceu que foram realizadas actividades inerentes a palestras de sensibilização nas províncias do Zaire, Bengo, Huíla, Cabinda, Moxico, Lunda-Sul e Benguela.

Fez saber, por outro lado, que continuam as formações e a cerca sanitária de Luanda mantém-se. Franco Mufinda disse ainda que no dia 25 deste mês chegaram ao país 50 compatriotas provenientes da Turquia, num voo humanitário organizado pela Comissão Intersectorial.

“Tivemos algumas altas e temos pouco menos de 900 pessoas a observarem a quarentena institucional e sob investigação temos pouco menos de 1200 pessoas, sendo que o número de casos suspeitos está acima de 500 pessoas”, frisou.

Jornalistas destacados na cobertura da Covid-19 testam negativo pela segunda vez

Os testes realizados a mais de 100 profissionais, entre os quais jornalistas, funcionários do Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM) e efectivos da Polícia Nacional, que estão destacados na cobertura diária sobre a evolução da pandemia da Covid-19 no país, tiveram resultados negativos, anunciou, ontem, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda.

De salientar que os resultados anunciados, no auditório Edições de Novembro, em Luanda, surgem na sequência de um dos efectivos da Polícia Nacional destacados no CIAM ter testado positivo da Covid-19.

Por essa razão, os profissionais da comunicação social foram submetidos a um novo teste, de reconfirmação, cujas amostras foram recolhidas no Hospital Américo Boavida.

Entretanto, o caso do efectivo da Polícia infectado ainda faz parte do grupo dos 26 casos cujo vínculo epidemiológico se encontra em estudo.

 

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