Brasileiros da IURD acusados contratar marginais para atentar contra a vida de angolanos

O pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Fernando Teixeira, de nacionalidade brasileira, está a ser acusado pelos seus colegas de nacionalidade angolana de ter contratado 40 supostos marginais para atentarem contra as suas vidas e das suas famílias, a troco de 500 mil Kwanzas para cada um deles

Os pastores que integram a comissão de reforma da IURD dizem, em comunicado de imprensa a que OPAÍS teve acesso, que tais indivíduos, repartidos em grupos fortemente armados, dirigiram-se, às 3 horas da manhã de Quarta-feira, aos templos e às suas residências com o intuito da cumprirem a missão. 

Esclarecem que ficou evidente a intenção dos supostos marginais que foram pagos com dinheiro de sacrifício dos fiéis angolanos. “Os referidos marginais fizeram-se transportar numa caravana de automóveis, incluindo uma viatura com a matrícula LD-87-25-GF, caracterizada, da Record TV Angola, canal televisivo dirigido pelo Pastor Fernando Teixeira”, lê-se do documento. 

Esclarecem que a caravana de supostos marginais era liderada pelo pastor Douglas Oliveira, de nacionalidade brasileira. Essa acção surgiu em resposta ao facto de os pastores angolanos que subescrevem o acto terem recebido os templos da referida igreja que se encontravam sob gestão de pastores das nacionalidades brasileiras e moçambicana nos dias 22 e 23 do corrente mês. 

Os “reformistas da IURD” afirmam estar em pleno gozo de funções e dos direitos, pelo que, imbuídos de um espírito de fé e bravura, decidiram pôr fim às más práticas perpetradas pelo bispo Honorilton Gonçalves, nomeadamente racismo, arrogância, abuso de poder e de confiança. 

Esclarecem que após os referidos acontecimentos, foram surpreendidos com uma campanha de desinformação e disseminação de mentiras, fazendo crer que os ex-pastores e os ex-obreiros foram os protagonistas dos referidos actos, desencadeada pelo bispo acima mencionado. 

De acordo com os pastores, o representante de Edir Macedo em Angola classificou o acto de “vandalismo” e invasão dos locais de culto “usando, para o efeito, as redes sociais e a “mídia” controlada pela então Liderança Brasileira, designadamente a FÉ TV e a RecordTV Angola, cujo director é o senhor Fernando Teixeira, pastor brasileiro da IURD, num claro conflito de interesses”. 

Eles explicam que não se tratou de invasão aos templos de ex-pastores e ex-obreiros, como se fez crer, mas sim de assunção da gestão dos templos pelos pastores e obreiros nacionais, em pleno exercício das suas funções eclesiásticas na aludida instituição religiosa. 

“Não houve vandalismo, nem muito menos actos de xenofobia e de violência”.

Em relação à um vídeo posto a circular nas redes sociais e divulgado por alguns órgãos de comunicação social, onde aparece um pastor de nacionalidade brasileira ferido, os queixosos dizem não estar relacionado com as ocupações dos templos.

Afirmam que o referido incidente resultou da tentativa do pastor brasileiro, em violação do direito a informar dos órgãos de comunicação social, impediu a cobertura jornalística do acto de adesão ao Manifesto Pastoral, tornado público no dia 28 de Novembro de 2019, em que os pastores angolanos haviam de declarar em conferência de imprensa.

“Foi um lamentável acidente provocado pelos óculos do mesmo, ao colidir com o tripé de uma das câmaras de filmagem de um dos jornalistas presentes no interior do templo”.

No entender deles, tal atitude serviu para expor publicamente o caracter do bispo Honorilton Gonçalves e da então liderança brasileira da IURD-Angola, que, alegadamente, tem agido com falsidade e manifesta má-fé ao povo angolano.

“Apelamos aos membros, obreiros, pastores e bispos da Igreja Universal do Reino de Deus e sociedade em geral à calma e ao espírito de irmandade. Reiterando que as acções da Comissão de Reforma têm observado a lei e a dignidade da pessoa humana, em respeito aos princípios da fé cristã e aos padrões morais e cívicos da nossa cultura”, garantem.

Polícia Nacional acusada de inercia

A ala brasileira da IURD, num comunicado tornado público também ontem, acusa a Polícia Nacional de estar inerte e nada fazer para repor o que descreve como legalidade.

Eles negam que a igreja esteja sendo liderada por duas alas, uma ala angolana ou uma ala brasileira, afirmando que a mesma é uma Instituição mundial, “dirigida pelo Espírito de Deus e com o Conselho de Direção constituído legalmente”. Descrevem os actos praticados pelos seus antigos fiéis colaboradores de “actos criminosos, beirando ao terrorismo, além da inércia de algumas autoridades competentes”.

Por outro lado, alertam a mesma instituição que acusam de inercia (a Polícia Nacional) e a PGR que os crimes que citam que irão coibir já ocorreram e estão se perpetuando através de expulsões de pastores brasileiros, angolanos e moçambicanos das Igrejas e residências de forma violenta. Dizem terem informado também o Instituto Nacional de Assuntos Religiosos (INAR), os ministérios da Cultura e o da Justiça e dos Direitos Humanos, “que uma organização criminosa está se auto-declarando uma nova igreja”.

“Apelamos aos órgãos competentes, que estão a assistir perplexos os acontecimentos de violações de direitos e princípios constitucionais. Com a Polícia Nacional de Angola inerte. Continuamos crendo na justiça dos homens e principalmente na justiça do nosso Deus”, lê-se no documento.

Por outro lado, os pastores atiram-se contra alguns órgãos de comunicação social, afirmando que em virtude dos acontecimentos ocorridos desde às 9 horas de Terça-feira, têm sido surpreendidos por diversas notícias de que algumas Igrejas foram invadidas juntamente por pastores dissidentes.

“Face a estes factos, a Universal repudia a forma tendenciosa e caluniosa que profissionais de imprensa, nomeadamente Jornal de Angola e TPA têm conduzido este processo, passando para opinião pública inverdades, deturpando a realidade dos factos, para atender interesses escusos”.

error: Content is protected !!