Esse mais é quem?

Desde que me conheço e reconheço, o mundo que me rodeia, nos diferentes ciclos da vida, entre o conhecido e desconhecido, o visível e o invisível, jamais me passou pela cabeça que, algum dia, um vírus poderia colocar a humanidade em suspense.

Embora viver nunca foi perfeito, um pouco pelo planeta terra, não raras vezes, vários fenômenos naturais ocorreram, com maior ou menor intensidade, o homem sempre foi capaz de controlar, ultrapassar, impedir a sua proliferação mundial.

Nasci e cresci, já lá vão uns bons cacimbos, poucos não foram os surtos, as epidemias que nos assolaram, malária, febre tifoide, marburg, ébola, dengue, chikungunya, cólera, entre tantas muitas outras, mas nunca, nenhuma, do tamanho, duração e dimensão do corona vírus.

Os medicamentos, de laboratório ou tradicionais, com cloroquina ou mudianhoca, a seu tempo, conseguiram, quase sempre, lograr êxito, travar ou contornar, a evolução do mal, devolver a paz e a tranquilidade entre os seres vivos.

Na nossa banda, mesmo nos tempos da pura kitota, bué de lalaus, mona-caxito a ferver, as soluções medicamentosas estiveram sempre a altura dos acontecimentos, projéctil ou desnutrição severa, nada conseguiu nos arreiar.

Assim, tipo brincadeira, desde a Ásia, corona galgou continentes, chegou a África e, sem mais nem ontem, no nosso país, sem pedir licença, também se instalou.

Em casa, os canucos a se bofocar, na porta, na parede, cabeçada tá rija, os bonecos na TV, não mais animam, os miúdos estão cansados, querem voltar a creche, a escola, ao normal, as mesmas rotinas, do seu passado ainda recente.

Se inicialmente, somente casos importados, não demorou, os casos locais, que desgraça, deram um ar da sua graça, de caxexe, sempre a subir, sabe Deus até quando. A praga, começou com 26, logologo passou para o 31, grande azar, o 51, também fez sassassa, a mexer com tudo e todos, fininho ou caenxe, sem diferença.

Como um azar nunca vêm só, da emergência se passou a calamidade, Luanda virou cerca, ninguém entra, ninguém sai, as fronteiras encerradas, excepção, apenas casos especiais, os humanitários, o país não pode parar.

Na Nguimbe, no seu quintal, cerca chegou, ao condomínio Infinity, passou pelo Gold, Cassenda, Futungo, Hoji-Ya-Henda, 10 casas do Kikuxi, Hotel Diamante e, por ironia ou não, aplacou, na Clínica Multiperfil, em boa hora, o Executivo tomou medidas em nome do bem comum, a vida.

Quando tudo aparentava um novo normal, Cuanza Norte, virou surpresa, primeiros casos fora da capital, alguns desobedientes pularam a cerca, Bengo, Malanje, Uíge, todos em alerta máximo, é sempre melhor prevenir do que remediar.

Ainda não refeitos do choque de Dalas City, nos últimos dias, novo vínculo epidemiológico em estudo, está a dar que falar, nova maka, desconhecido à solta, mas, afinal, esse mais é quem?

João Rosa Santos

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