É mesmo o que queremos?

Então, liguei a uma amiga que trabalha na área da saúde para confirmar um dado que me tinha chegado. É importante perguntar sempre, verificar, embora normalmente em Angola os detentores de informação não gostem de responder. Pois, liguei, há muito tempo que não falávamos. E antes que eu avançasse com as dúvidas que me tinham causado os dados novos, ela, que tem este direito vindo da amizade de dezenas de anos, bem, ela ficou só já amiga mesmo e começou a disparar:

O que queres que façam as autoridades mais do que aquilo que têm feito, com um povo que julga estar blindado? As pessoas até arranjam diversão, lutas, se necessário, para chamar a atenção da Polícia e no outro lado uns furam as cercas.

No início, queriam doentes, diziam que o Governo estava a esconder, agora dizem que há mais do que os números anunciados, que o Governo está a esconder, mas ainda assim o comportamento das pessoas é o que vemos, querem o quê? E continuou…

Vocês, jornalistas, já mediram o esforço que é feito pelos profissionais da saúde pública? Desafio-te a envergar por meia hora aqueles fatos. Durante o estado de emergência, tive gente a andar quilómetros a pé para vir ao hospital trabalhar, não havia táxis. E acrescentou: Se não fosse a capacidade de reacção rápida e de confinamento dos contactos, aí sim, talvez tivéssemos mais casos do que os actuais. Mas é isso o que queremos? Engoli em seco, mas desconfio que ela tenha engolido também quando lhe perguntei se sabia quantos pedidos nossos para reportar o trabalho dos técnicos estão sem resposta.

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