Karina Barbosa: Refuta críticas da Top Model Maria Borges e as considera “más intencionadas”

A responsável da Step Model, empresa gestora dos Troféus Moda Luanda, Karina Barbosa, considerou o evento realizado, apesar do “atipismo” face à Covid-19, positivo. Entretanto, refuta as críticas da Top Model Maria Borges, tendo dito que as consideraria “se fossem críticas construtivas e feitas com boas intenções, baseadas nos factos, e não posts de mentiras com ataques pessoais para denegrir o evento e os seus mentores”

O Moda Luanda foi realizado num formato diferente face à situação da pandemia. Que balanço faz da presente edição?

Fazemos um balanço bastante positivo pois apesar das circunstâncias extraordinárias como ausência de público físico, dos nomeados, das áreas de activação de marca dos nossos patrocinadores, o evento foi muito bonito e os criadores e marcas angolanas apresentaram moda de qualidade com muita criatividade. Foi também excelente podermos proporcionar esta oportunidade de trabalho a vários profissionais e empresas do sector da moda e eventos que tem sido extremamente afectado pelas restrições de trabalho impostas pelo contexto da Covid-19, e que muito tem debilitado a sua saúde financeira o contribuído para uma crise cada vez mais acentuada.

Por que razão a STEP não optou em suspender a atribuição e a realização dos Prémios Moda Luanda tendo em conta a conjuntura sanitária?

Porque haveríamos de suspender? Na STEP não pensamos em problemas mas em desafios a ultrapassar. O Moda Luanda existe há mais de duas décadas, e é um palco essencial ao desenvolvimento da moda nacional, para além de ser um dos eventos mais aguardados do ano pela sociedade que aprecia moda e entretenimento. A STEP não tem mentalidade de desistir das coisas só porque são difíceis… O nosso foco é sempre continuar a trabalhar apesar das dificuldades, inovando sempre.

Gerou os objectivos preconizados?

Gerou sim. Já recebi feedback dos estilistas a informar que têm sido bastante contactados para encomendas de looks que o público viu nos desfiles, o que é bom para a dinâmica e desenvolvimento do sector. Também recebi um grande agradecimento do agente da artista White por exemplo que disse que desde a actuação que têm sido contactados muitas vezes para projectos com a cantora, devido ao bom desempenho que as pessoas viram dela na TV durante a sua actuação no Moda Luanda. Estamos muito satisfeitos com o evento e não mudaria o conceito.

Ficou mais barato ou nem por isso, produzir o ML Virtual? Qual é o custo de produção em média do ML?

Os custos foram aproximadamente os mesmos. Nós investimos muito em produção e estruturas de qualidade, na imagem, nos convites, no website, nas estruturas, manequins, cabelos, maquilhagem, staff de bastidores, nos Troféus… Enfim, há uma grande equipa envolvida e muitas especificidades de produção, vários fornecedores diferentes… O custo total aproximado é de 50 milhões de kwanzas.

O ML é uma janela de oportunidades como se costuma dizer no sector. Este ano apesar do “atipismo” da sua realização, foi diferente?

Não, foi exactamente igual. Nesta edição participaram nove modelos que nunca tinham participado e estrearam-se também seis novas marcas de moda nacional. Continuamos sempre a dar espaço a novos talentos.

Pelos anos de experiência que tem neste tipo de trabalho, os comentários em relação a atribuição de prémios e a organização em si geram quase sempre controvérsias. Isso a ainda a incomoda?

Nunca me incomodou, nem antes e nem agora. Os Troféus Moda Luanda são um reconhecimento nosso a artistas e profissionais que mais se destacam ano após ano. São um mimo, e valem o que valem. São apenas um complemento do evento e não o seu foco principal, este é a Moda. É normal que cada nomeado e os seus respectivos fãs achem que ele é melhor, mas todos têm qualidade e fãs que os adoram, ou não teriam chegado até ali. As pessoas devem trabalhar para a excelência e não estar preocupados com prémios.

Podemos notar que os comentários da modelo Maria Borges mereceu uma pronta reação de vossa parte. Por que razão?

Porque uma coisa são gostos pessoais e outra coisa bem diferente são os factos e a verdade. A Maria atacou o evento e apelou inclusivamente a marcas e empresas para que não o apoiassem ou patrocinassem mais alegando que o mesmo não dá oportunidades a novos talentos e não é inclusivo porque às modelos que ela representa não é dada a oportunidade de desfilar devido a “favoritismos”, o que é a mais pura mentira.

Como assim?

A própria Maria é fruto da STEP dar a oportunidade a várias pessoas anónimas sem favoritismos, já que foi a STEP que em 2011 apostou numa Maria que ninguém conhecia, lhe deu um contrato, investiu nela, a levou para Portugal, lhe arranjou agenciamento internacional, lhe deu a formação inicial, sempre com muito carinho e atenção. Inclusive, ela ficou hospedada em casa dos meus pais em Portugal, cuidada pela minha mãe por uma questão de protecção porque ela era inexperiente e nunca tinha viajado para fora do país.

Então eu não a coloquei num hotel sozinha para que ela ficasse mais protegida, cuidada e acompanhada como se fosse minha filha. Então ela é a prova viva que damos sim oportunidades a novos talentos para que brilhem e se profissionalizem, porque se não o tivéssemos feito, se não lhe tivéssemos dado a ela um contrato, apoio, formação e levado para fora, todo o potencial dela teria ficado enterrado e no anonimato aqui em Angola e ela não estaria hoje a viver em Nova Iorque.

Por outro lado, quando ela iniciou a sua agência, falou com a STEP e pediu para darmos oportunidade às modelos dela, nós aceitamos, elas foram ao casting e desfilaram sim no Moda Luanda há 2 anos e no ano passado, com cachés pagos. Então não se pode agora fazer de esquecida só porque este ano foram seleccionados modelos de outras agências. Estamos a dar as tais oportunidades a outros novos talentos este ano, há que respeitar o trabalho alheio.

Não considera legítimas as críticas da modelo enquanto cidadã e também parte desta indústria?

Consideraria se fossem críticas construtivas e feitas com boas intenções, baseadas nos factos, e não posts de mentiras com ataques pessoais para denegrir o evento e os seus mentores. O Moda Luanda está a ser anunciado desde Fevereiro, e de lá para cá ela nunca contactou a organização a informar do desejo que as suas modelos participassem, a perguntar se havia casting ou a fazer qualquer sugestão construtiva, quando tem todos os nossos contactos directos. Agora, quatro meses depois, pós evento é que se lembrou que tem modelos??? Estranho isso.

Não terá feito o trabalho de casa?

O papel do agente é estar sempre à procura de oportunidades e contratos para os modelos, e não ficar sentado em casa à espera que o telefone toque. Ela é parte da indústria, mas o seu contributo activo para o desenvolvimento ou promoção deste sector qual tem sido, pergunto eu? Uma modelo com nove anos de carreira, conhecida mundialmente, que evento ou acção já fez pela moda nacional?

A senhora pode dizer…

Nenhum. Uma manequim com acesso às melhores marcas e empresas de moda do mundo, porque não usa esse alcance e influência para angariar patrocínios ou financiamentos para promover eventos realizados em Angola que beneficiem os profissionais angolanos para lhes dar trabalho e rendimentos? Nada. Porque não promove marcas e estilistas nacionais levando-os para eventos internacionais aos quais tem acesso? Nunca. Porque é que para vir a Luanda participar no Angola Fashion Week por exemplo cobra cachés altíssimos em dólares e exige transportes e hotéis de luxo, staff de apoio exclusivo, camarins particulares e etc, provas de roupa diferenciadas para escolher o que quer ou não desfilar? Isto é humildade?? Ajudar a moda nacional como manequim ou cidadã seria por exemplo oferecer a sua imagem para apoiar aquele evento que visa promover os estilistas angolanos. Promover outros eventos e modelos do seu país. Porque é que durante este Covid deu donativos a Nova Iorque e não ao seu país natal? Eu e o Kayaya cedemos a nossa imagem e voz a filmes de sensibilização e apelo à segurança e saúde pública devido ao Covid 19 para passarem gratuitamente nas TVs nacionais e redes sociais, e a Maria fez? Nós fazemos a nossa parte há mais de 20 anos como profissionais e cidadãos, sendo ela um dos frutos do nosso trabalho. E ela, o que fez por outras modelos ou estilistas na mesma dimensão ou com consistência? Zero. Fazer parte da indústria é “Fazer e Dar”, e não apenas receber e usufruir.

Terá havido algum problema que eventualmente tenha despoletado nestas críticas pessoais?

Eu não disse que as críticas eram pessoais. Disse que tinham sido escritas coisas que não correspondem à verdade, daí serem críticas infundadas e sem nexo. Se ela tem algum problema não sei e isso é com ela, e não com o Moda Luanda. Nós estamos bem aqui no nosso canto a fazer o nosso trabalho. Apenas não podemos aceitar que se tentem passar mentiras como factos para prejudicar o evento.

Por outro lado, questiona-se bastante a distinção dos profissionais da TV Zimbo. A vossa parceria “obriga” ou exige a que os profissionais daquela estação sejam premiados?

Não tenho conhecimento que se “questione bastante”, até porque a TPA recebeu mais nomeações e prémios por exemplo, logo é outra informação que não procede A nossa parceria tem a ver com a transmissão apenas. Toda a produção é responsabilidade da STEP e os prémios são para quem recebeu mais votos. Existem outras premiações e levantamentos estatísticos de outras empresas e instituições que têm distinguido os mesmos profissionais, tal como estudos de audiências, logo tem até havido consistência entre vários resultados autónomos.

Não se reconhece o mérito destes profissionais ainda que por colegas da concorrência?

Eu pelo menos acho que se reconhece. Não vi ninguém a dizer que o colega A, B o C não merecia. É normal que todos queiram ser reconhecidos, mas para o ano há mais, é só continuarem a trabalhar. E quem está muito focado nos prémio, está com o foco no sítio errado.

Que inovações estão a ser projectadas para os próximos eventos do ML? Já se pensou em incluir a categoria de Artes Plásticas, tendo em conta a importância desta disciplina artística?

Essa e outras áreas ficarão para outros eventos. Aliás, indo às vozes críticas que perguntam porque é que é sempre a STEP a organizar e que nos acusam de termos “o monopólio”, deixo o desafio para que façam também alguma coisa. Há muito por se fazer neste país, e mais produtivo do que se querer questionar ou destruir o que já está a ser feito. Então, criem os vossos conceitos, angariem os financiamentos, contratem quem quiserem, prestigiem quem vos apetecer e apresentem resultados. É o que nós fazemos… Há 20 anos!

Que outros projectos tem a STEP ainda para este ano?

Os Globos de Ouro Angola, entre outras coisas que estamos a preparar e que saberão na hora certa. Vamos continuar a trabalhar com serenidade e apresentar resultados, step by step.

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