Mais de 100 ex-toxicodependentes seguem a vida após passarem pelo centro de tratamento do Bengo

O centro de tratamento, reabilitação e reinserção do Bengo, afecto ao Instituto Nacional de Luta contra as Drogas (INALUD), que existe há 18 meses, registou a passagem de cerca de 200 pessoas, dos 10 aos 65 anos. Desta cifra, 131 cidadãos seguem a vida normal, enquanto outros tiveram recaídas e regressaram àquela unidade sanitária para dar sequência ao tratamento

A directora-geral do Instituto Nacional de Luta contra as Drogas (INALUD), Ana Graça, que conversou com o OPAÍS em alusão ao Dia Mundial Contra o Abuso e Tráfico de Drogas, explicou que entre os vários tipos de drogas, as mais consumidas são o álcool, a liamba e a cocaína, sobretudo pela camada jovem.

O centro de tratamento, reabilitação e reinserção do Bengo, inaugurado em Janeiro do ano passado, registou o atendimento de 200 doentes, dos 10 aos 65 ou mais anos, e deste número 131 cidadãos levam a vida normal, sendo que o restante teve que voltar para continuar o tratamento, após recaídas.

O INALUD realizou a triagem de 108 utentes, que corresponde a um trimestre, que procuram os seus serviços na província de Luanda.

Segundo Ana Graça, os utentes, enquanto aguardam por uma vaga, depois da triagem, são encaminhados para as unidades sanitárias próximas da sua zona de residência, onde recebem acompanhamento psicossocial para toxicodependente. A família é incluída no acompanhamento.

O centro do Bengo tem a capacidade de até 60 utentes. Considerando que cada utente usa a cama hospitalar durante um ano, há necessidade de se construir outros equipamentos sociais para atender as necessidades.

Ainda assim, a instituição tem trabalhado com outros centros privados “porque temos consciência de que o tratamento é a melhor forma de melhorar a condição de vida destes indivíduos”, defende.

Pelo facto, reafirma a coordenação e controlo das drogas lícitas e ilícitas, a toxicodependência, sua recuperação e reinserção como uma tarefa que deve ser de âmbito nacional, sendo que todas as actividades realizadas abrangem as 18 províncias do país, contribuindo para a criação de valores e mudanças de comportamento.

De acordo com a dirigente da instituição, o INALUD tem como actividade principal a prevenção e, para o efeito, tem trabalhado em colaboração com outros organismos estatais, como os ministérios da Justiça, Acção Social e Família, Agricultura, Relações Exteriores, Interior (SIC), Finanças – AGT, Juventude e Desportos, e a Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos.

“Apesar destas cooperações, todas as forças vivas, associações e outros parceiros são sempre bem-vindos, pois constituem sempre uma mais-valia”, sublinhou, Ana Graça. Actualmente, o INALUD e seus parceiros estão a trabalhar nas medidas de prevenção para a consciencialização dos indivíduos e suas famílias, para prevenir o uso excessivo de substâncias lícitas (bebida alcoólica e tabaco) e outro tipo de substâncias proibidas.

Luanda continua a liderar números da toxicodependência

Ana Graça afirmou que a província com maior concentração de consumidores de drogas é Luanda, pelo número de população jovem que nela vive e pela falta de condições sociais que a província tem, tais como a instabilidade familiar, desorganização no lar, violência doméstica provocada por embriaguez, ciúmes, ausências de adultos, falta de emprego, entre outros.

Depois de Luanda, seguem-se as províncias da Huíla e Benguela. Nestas localidades foram instaladas Unidades de Intervenção Local (UIL), que trabalham com os programas de prevenção junto das comunidades.

Os técnicos auxiliam na elaboração de políticas públicas e advocacia para melhorar as condições dos cidadãos.

Pelo facto, a prevenção continua a ser a aposta do instituto, com a oportunidade de contacto directo com as comunidades e aprendizado sobre o modo como cada um vive.

Quanto aos constrangimentos registados no INALUD, a dirigente sublinhou que faltam meios de transporte, sobretudo nas províncias, para além de se reforçar os recursos humanos a nível das localidades, bem como equipar as unidades de intervenção local.

Por agora, gostariam de ver ultrapassada a preocupação de construir mais instalações sociais, assim como registar mais famílias coesas, homogéneas e a formação de mais professores.

Aproveitar a Covid-19 para não consumir drogas

Ana Graça alerta as famílias, sobretudo neste período da pandemia da Covid- 19, em que se aconselha o distanciamento social, que mantenham o mesmo distanciamento das substâncias psicotrópicas e de todos os tipos de estupefacientes, também para o bem da saúde das comunidades “Distancia-te, é o conselho escolhido, tendo em conta o contexto, uma vez que existe ai um denominador comum.

Distanciamento social é uma das medidas necessárias para inibir ou evitar a propagação das doenças e proporcionar algum conforto aos cidadãos”, explica.

Quanto aos desafios do instituto para um futuro próximo, a dirigente almeja proporcionar melhores condições de trabalho a sua equipa para o atendimento melhor ao público- alvo.

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