“A minha composição ‘Jesus é a Solução’ revolucionou a música gospel no país”

Paulo Paz foi o primeiro músico gospel no país a cantar outro ritmo musical na vertente sacra, numa mistura do Kizomba/ Zouk, na sua canção intitulada “Jesus é a solução”, lançada em 1997, ao invés de Slows, (canções lentas) de que os cristãos estavam acostumados

Pela sua peculiaridade foi a origem da revolução na música sacra, motivando assim a que mais artistas cantassem outros ritmos, como Reggae, Semba, com foco na evangelização.

No começo, o também presidente da Associação de Músicos Cristãos de Angola (Asso-música) foi censurado pela ousadia, uma vez que a canção não era aceite nas igrejas, onde pretendia apresentar, por ser considerada música secular.

A sua reacção perante a situação não foi das melhores. Sentiu-se desprezado, tanto é que ficou dois anos sem frequentar a igreja, por falta de motivação.

“Enquanto nas igrejas usavam as músicas lentas, que pareciam slows, eu entrei com uma mais mexida. O próprio pastor me disse que se tratava de música do mundo, que não podia ser tocada lá”, contou.

Para não descurar do trabalho, depois de dois anos, em 1999, procurou outros meios para a sua divulgação. Foi mesmo na Rádio Ecclésia onde viu a música tocar, despertando assim a curiosidade dos ouvintes, pela novidade rítmica.

A repercussão tida no momento foi motivo da sua aceitação na igreja, onde antes fora rejeitado, cantou e fez com que todos vibrassem.

“Fui eu quem fez a primeira música diferente das que cantavam nas igrejas naquele tempo. Desde então, essa canção veio revolucionar a própria música gospel no país, porque entro com um estilo diferente”, considerou.

Música motiva criação da associação

A presente canção foi ainda motivo de criação da Asso-música, quando o jornalista Mário Santos, na referida rádio, acompanhava a desenvoltura da música. Em 2000, foi à Rádio Escola, onde também passou a promover o trabalho.

Pelos comentários sobre a criatividade e rítmica da canção e o sucesso que fazia na rádio, Paulo Paz decidiu ir lá ter para agradecer, mas, ficou surpreendido ao ver o jornalista, uma pessoa amiga. Neste encontro entre ambos foi assim sugerida a criação da associação.

“Foi então que sugeri que ao invés de união, criássemos uma associação e começamos a tra- balhar no plano. Ele ficou com a responsabilidade de contactar todos os artistas através do seu programa de rádio, que nem sequer conhecíamos, porque na altura ouvíamos apenas a falar da Irmã Sofia”, recordou.

No primeiro encontro com os músicos, onde apareceram mais de 200, ficaram expectantes, por ver o número considerável de profissionais, cifra que desconheciam.

A partir daí conversaram e criou-se a comissão instaladora da associação, onde Mário Santos passou a ser o presidente e Paulo Paz vice-presidente, conforme indicação dos membros, que surpreenderam-se ao saber que se tratava do artista que cantava aquele tema musical, muito comentado e apreciado.

Apesar de a música ter sido promovida há mais de seis anos, disse que é pouco conhecido, por não aparecer frequentemente, e, também, após a criação da associação ter-se dedicado aos trabalhos.

Contou que Mário Santos, por causa das várias ocupações que o impossibilitava dedicar-se afincadamente às suas tarefas perante a associação, pediu que o vice-presidente passasse a liderar, que de imediato foi aceite por ele.

Para a estabilidade da Asso-música, numa fase em que pouco se falava sobre a música sacra, na media, por falta de espaço, a ex-Liga Africana permitiu que passassem a actuar (quinzenalmente).

O evento, pela sua desenvoltura, passou a ser anunciado pelos artistas na TPA durante três anos, fazendo com que fosse conhecido por todos.

“Essa música não só revolucionou a música gospel, mas também veio dar o plano de abertura da associação, que contribuiu e motivou na aparição de novos talentos. Foi ali também onde se começou a falar fortemente da música gospel, que antes era denominada por música sacra ou religiosa. Isso motivou todo o mundo”, enfatizou.

Resultados da associação

Hoje, com 20 anos, a Asso-música possui mais de 3 mil artistas, que cantam diferentes estilos musicais, na vertente gospel, por forma a abranger todos e convidá-los a ouvir estas canções com mais frequência. Funciona em todo o país, com as suas respectivas delegações.

É uma associação ecuménica, que envolve artistas de todas as igrejas evangélicas. Hoje, independentemente da igreja são amigos, trocam serviços e apoiam-se mutuamente.

Fruto dos seus trabalhos são os programas gospel nas rádios, a realização de concursos e premiações para incentivar os artistas, fez com que os cantores ‘privados’ nas igrejas pudessem cantar noutras actividades.

“Cada um tem que se identificar com o seu estilo, porque no fundo é a palavra de Deus que está a ser evangelizada. Conseguimos unir todos os artistas ao nível do país, principalmente, fazer sentir que essa música é usual. Temos a responsabilidade de fazer com que a sociedade respeite os artistas, e, ao mesmo tempo, respeitar este modo de cantar”, disse.

No que tange aos seus projectos, Paulo Paz, além de outras músicas feitas em parceria com a produtora Quebra Galho, do músico Caló Pascoal, onde gravou sete temas musicais, actualmente tem ainda trabalhado para o lançamento de outros temas musicais, promocionais, isso, para o próximo ano.

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