Embaixada russa nos EUA diz receber ameaças após publicação da mídia americana sobre talibãs

A embaixada russa em Washington rotulou como fake news a matéria do The New York Times, alegando que Moscovo estaria a financiar o terrorismo no Afeganistão e exigiu que as autoridades dos EUA reagissem às ameaças recebidas pelos diplomatas russos por causa da publicação.

A matéria do The New York Times, citando representantes anónimos de serviços de inteligência norte-americanos, alegou que a inteligência militar russa teria oferecido aos terroristas do movimento Talibã uma recompensa por estes atacarem soldados dos EUA no Afeganistão.

A mídia não apresentou quaisquer provas do que foi dito. “Parem de criar fake news que provocam ameaças a vidas [humanas]”, apelou a missão diplomática russa na sua conta oficial no Twitter.

Além disso, os diplomatas pediram que as autoridades dos EUA “tomassem medidas eficazes para garantir o cumprimento das suas obrigações internacionais no âmbito da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961”.

Trata-se de ameaças que funcionários da embaixada receberam de usuários do Twitter, após a divulgação da matéria norte-americana. Captura de tela com uma das ameaças foi anexada ao tweet. No início de Junho a bancada do Partido Republicano no Congresso publicou um relatório em que, entre outros assuntos, acusou a Rússia de financiar a actividade do Talibã e apelou para endurecer as sanções contra Moscovo.

A embaixada russa refuta desde então as acusações desse tipo. Segundo os diplomatas, trata-se de uma “farsa encenada” que visa prejudicar a imagem de Moscovo no apoio à construção de um Afeganistão pacifico e estável.

Palavra da diplomacia russa

Além disso, em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia ressaltou as actividades ilegítimas dos EUA no Afeganistão.

“Falando de factos, que são comumente conhecidos, o envolvimento de membros da inteligência americana no tráfico de drogas, em pagamentos a terroristas, para que estes permitam a passagem de transportes, em subornos para realizar contratos em diferentes projectos, que são pagos pelos cidadãos norte-americanos nada disso é um segredo no Afeganistão. Se quisermos, a lista das suas actividades pode ser continuada. Não parecerá ser curta”, comentou o ministério.

Operação dos EUA no Afeganistão

Os EUA iniciaram uma operação militar contra os Talibãs em 2001. Washington alegou que os talibãs escondiam terroristas do grupo Al-Qaeda que cometeram os atentados de 11 de Setembro do mesmo ano.

Posteriormente, o governo dos Talibãs foi deposto e substituído por políticos leais aos EUA. Os Talibãs entraram em confronto armado com as forças americanas.

Em Fevereiro, os EUA e os Talibãs assinaram a primeira trégua em 18 anos. Em particular, o documento prevê a retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão em 14 meses e o início do diálogo inter-afegão após a troca de prisioneiros.

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