Ministro da Agricultura “iliba” Tchad de responsabilidade na morte do gado

O ministro afirmou que “não é verdade que o gado que veio do Tchad introduziu a doença no país”, garantindo que a endemia é circulante em Angola, sendo a região Sul, a detentora de maior efectivo bovino, onde ela prolifera

“Esta doença sempre existiu e é conhecida no seio do nosso povo com o nome de quiconha”, esclareceu o governante. António Francisco Assis, afirma que o gado do Tchad apanhou a doença no país e diz que o fornecedor não tem responsabilidade na morte das cabeças que ocorreram no Soyo e no Planalto de Camabatela, pelo que o programa vai prosseguir.

O ministro revelou que é preciso “desmistificar algumas questões” e esclareceu que a Peripneumonia Contagiosa dos Bovinos, conhecida nos meios científicos veterinários pela sigla PPCB é uma doença “endémica e circulante no país”.

O titular da pasta da Agricultura desmente informações postas a circular de que Angola suspendeu a relação com o Tchad no que tange à importação dos bovinos.

O ministro clarificou que “reunir para melhorar a acção não é suspensão”, considerando mesmo que houve um equívoco no tratamento desta matéria pelo que não há motivo para “alarme e desvaneios do ponto de vista técnico e científico. Este é um assunto que se pode resolver e é pacífico de ser resolvido”, acrescentando que até se tratam de dois países irmãos.

“Sentados podemos melhorar o que não foi bem feito”, sentenciou o governante que falou ontem à margem de um encontro mantido com uma das Comissões Especializada da Assembleia Nacional.

 Informações confirmadas pelo Instituto de Veterinária de Angola revelaram que os animais estão a ser vítimas de Peripneumonia Contagiosa dos Bovinos. Outras fontes especializadas reiteram que, efectivamente, a morte dos bovinos deveu-se a esta epidemia.

As mesmas concordam no aspecto de que a doença existe em Angola e que o país consta nos registos como região endêmica, pelo que a solução é o “abate de todo o efectivo afectado”.

A problemática da morte do gado proveniente do Tchad, no âmbito de um acordo de ressarcimento de uma divida daquele país para com Angola, veio à ribalta com a notícia da morte de efectivos do mesmo lote atribuídos a fazendas no Planalto de Camabatela. Naquela região, 105 das mil e 500 cabeças de gado bovino, provenientes do Tchad, em Março último, morreram.

As primeiras três cabeças morreram durante a transportação e outras nas fazendas de colocação, seleccionadas no âmbito de um projecto do Executivo de repovoamento animal do Planalto de Camabatela.

 No âmbito do programa de repovoamento animal do Planalto de Camabatela e no quadro dos acordos assinados com o Tchad, Angola começou a receber em Março último as primeiras cinco mil cabeças de um total de 75 mil a serem entregues nos próximos oito anos.

Além de Ambaca (Cuanza-Norte), beneficiaram já também desse gado, criadores das províncias de Malanje, Cuanza-Sul e Zaire, estas duas últimas não integram a região do Planalto de Camabatela. O Planalto de Camabatela conta com uma área de um milhão e 410 mil hectares e compreende os municípios de Ambaca e Samba Cajú (Cuanza-Norte), Cacuso, Calandula e Cahombo (Malanje), Negage, Puri, Bungo, Alto Cawale, Cangola e Damba, província do Uíge.

 A região conta com 280 fazendas, repartidas entre as províncias de Cuanza-Norte, Malanje e Uíge, 50 das quais localizadas no município de Ambaca, que tem como sede a vila de Camabatela.

Actualmente, estima-se que haja no Planalto de Camabatela mais de 20 mil cabeças de gado bovino, com predominância para as raças nelor, brama, cimental e a gentia ou autóctone.

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