Nós e o nosso umbigo

O egoísmo angolano não é coisa fácil, aliás, muitas vezes nem sequer é egoísmo, é pura ignorância. Sim, tanta que muito centrados no umbigo próprio tudo o que se passa ao redor é ignorado, até quando ameaçador, até quando a causar já estragos. 

Choveu em Moçambique, creio que toda a gente se lembra, e lá foi Angola a correr publicitando a sua solidariedade. Fez mal? Não, claro que não, apesar de algumas críticas internas. Aliás, o mesmo se fez aquando da erupção do vulcão na Ilha do Fogo, em Cabo Verde. 

Contudo, até porque interessava às autoridades, estes dois episódios mereceram largos debates derivados da larga cobertura mediática promovida em Angola (sabemos como se faz). E agora? Agora, Moçambique está sob ataques terroristas, há mortes, muitas, e este processo, se não estancado, pode alastrar-se para mais países da região austral do continente africano, de que Angola faz parte. 

Entretanto, apesar da morte e do sofrimento que crescem em Moçambique, por aqui o silêncio é quase total, assobia-se para o lado e ponto final. É dos tais casos em que o olho colado ao umbigo não permite ver o buraco. Ou, se calhar, este assunto não permite grandes shows. 

Não falo em enviar militares (o que talvez nem fosse mau de todo), nem de helicópteros com câmaras de televisão, estou apenas a notar a ausência quase total do tema nos debates políticos e sociais, nos comunicados do Executivo e nos chamados “órgãos do Estado” que têm direito a fazer perguntas aos governantes mas que também não as fazem. 

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