Nova aeronave da TAAG vai garantir aumento de frequências domésticas

A primeira aeronave, de um conjunto de seis, já se encontra em solo angolano. Com capacidade para 74 lugares, as novas aeronaves vão ligar o Centro, o Sudeste e o Leste de Angola e permitir o aumento de frequências semanais em todo o país

Num discurso no acto de recepção, o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, referiu que é uma satisfação a chegada da primeira aeronave, de um conjunto de seis. O responsável frisou que “é a concretização de uma empreitada que teve início há dois anos, concretamente a 20 de Junho de 2018”, lembrou.

Acrescentou que “na altura encontrámos um processo para aquisição de um lote de aeronaves deste tipo para lançar uma iniciativa de um operador aéreo para o segmento doméstico regional, aonde o Executivo emprestaria a sua caução. Porém, foi preciso rever todo o processo para melhor reorganização “devolvendo a César o que de César” com a TAAG como parte exclusiva nas negociações”, explicou.

Segundo o titular da pasta dos Transportes, fruto da baixa do preço do petróleo e da queda das receitas públicas, os crescentes níveis de endividamento nacional limitavam a capacidade do Estado no apoio e aquisição das aeronaves. Ainda assim, reconhece, foi possível contar com o apoio do Ministério das Finanças para realização da operação, numa altura em que o sector da aviação civil se depara com um momento de grande incerteza.

Disse ainda que foram realizadas com o Ministério das Finanças várias reuniões de alinhamentos e concertação no intuito de chegar ao melhor entendimento de estrutura e que não colocasse em causa o equilíbrio fiscal e os compromissos com as instituições multilaterais.

O responsável referiu que estudos nacionais e de terceiros apontam para a necessidade e equilíbrio da frota da companhia de bandeira, que indica tecnicamente a compra.

“É uma forma de a empresa melhorar o seu desempenho ao nível doméstico e regional. Deste modo, ela pode atingir a fronteira continental e intercontinental de forma sustentável e equilibrada, que está expresso nas linhas de orientações estratégicas do sector aprovadas pelo Presidente da República, João Lourenço, em 2018”, disse.

“Estamos a mudar a imagem externa com um novo brand, mas se pretende mudar também a forma de trabalhar, tendo como foco, o compromisso, a disciplina, a excelência e satisfação, quer sejam trabalhadores, quer sejam fornecedores ou passageiros”, disse.

Conectitvidade e preços baixos

Segundo o ministro, com a chegada da aeronave DASH8-400, haverá maior conectividade nacional, com preços mais acessíveis, principalmente numa altura em que as companhias áreas de países limítrofes estão a viver períodos desafiantes que podem proporcionar à TAAG uma oportunidade de novos mercados.

“O cenário actual para aviação civil é desafiante, este acto representa o aumento da capacidade de lugares da TAAG, quando o que se perspectiva ao nível mundial é uma redução de lugares na ordem dos 52% e uma perda de resultados operacionais de mais de USD 300 mil milhões”, anunciou.

Referiu que ao nível do continente estima-se uma redução de 68 % de lugares oferecidos, enquanto que em termos de receitas operacionais uma quebra de aproximadamente USD 13 mil milhões. Segundo o dirigente, estes números impactam no sector da aviação civil, mas também outros sectores ligados, nomeadamente o turismo e o comércio, estimando em perdas de empregos em 100 milhões de profissionais, sendo que no continente africano podendo atingir a cifra de 7 milhões de desempregados.

Redução de custos, pois claro

O presidente da Comissão Executiva da TAAG, Rui Carreira, sublinhou que a nova aeronave é económica, ira reduzir os custos operacionais em 30%, que irá ajudar no equilíbrio da empresa. Além disso, é uma aeronave versátil, rápida e adaptada a pistas curtas e servir localidades que com as anteriores não era possível tal como Malanje, Uíge, Mbanza Congo que possuem pistas mais pequenas. “As aeronaves vão poder cobrir todo o país e dar mais flexibilidade”, explicou.

Questionado sobre alocação das aeronaves, disse que numa primeira fase ficaram em Luanda, e posteriormente terá outra base no interior do país para permitir melhor serviço aos passageiros.

Sobre a aeronave

ADASH-8-400 possui uma velocidade de cruzeiro de 630 quilómetros por hora e na rede de destinos domésticos o tempo de vôo não varia com o Boeing 737, um alcance de 2 mil e 500 quilómetros. Ela veio de Abidjan até Luanda em vôo directo, e pode descolar em pistas com 1600 metros de comprimento. A actual versão conta com 74 lugares, deste número 10 lugares sâo da classe executiva e 64 para a classe económica.

“A estratégia comercial será utilizar as novas aeronaves para os vôos domésticos à medida que forem chegando ao pais, será substituído o boing 737, libertando para viagens mais longas e maior densidade de tráfego”, explicou.

Acrescentou ainda que as novas aeronaves serão utilizadas nas rotas Lunda-Norte (Dundo), Lunda- Sul (Saurimo), Moxico (Luena), Bié (Cuito), Cuando Cubango (Menongue).

“Tao logo seja autorizada a circulação do transporte aéreo ao nível das províncias e o aumento de frequências semanais a todo o país”, assegurou.

Por sua vez, o director de engenharia e manutenção da TAAG, Nelson Oliveira, salientou que a aeronave contará com toda a manutenção preventiva, segundo o programa para o efeito.

Com aquisição das seis aeronaves a TAAG vai ficar desafogada permitindo as novas rotas regionais e internacionais em África.

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