Taxa de mortalidade baixa no Hospital Sanatório de Luanda

O director clínico do Hospital Sanatório de Luanda, Damião Victoriano, disse, em entrevista ao Jornal OPAÍS, que a taxa de mortalidade bruta nesta unidade sanitária baixou significativamente, pois no mês de Maio do corrente ano registaram 27.8%, quando no mesmo período do ano passado tinham registado 28.5%

Neste período de pandemia, surgem preocupações com os doentes de tuberculose, pelo que o jornal OPAÍS decidiu visitar as instalações do Hospital Sanatório de Luanda e conversar com o director clínico, Damião Victoriano, médico pneumologista.

Assim, recebemos a informação de que no primeiro semestre do ano em curso foram acompanhados cerca de dois mil e 500 pacientes com tuberculose sensível, perto de mil com tuberculose multirresistente e igual número de pessoas que vivem com VIH.

Sobre a mortalidade registada no Hospital Sanatório de Luanda, explicou que no mês de Maio de 2019 a taxa de mortalidade bruta foi de 28.5%, enquanto que no mesmo período do presente ano foi de 27.8%. No que toca a taxa de mortalidade líquida em 2019, foi de 26.3% e no ano em curso foi 21.5%.

Mortalidade bruta ocorre quando o paciente está na unidade sanitária há mais de 48 horas, sendo que a líquida se regista ao doente que esteve menos de 48 horas no hospital.

“Estes termos servem para avaliar a possível razão da morte. Na líquida se deduz que a morte não dependeu inteiramente do hospital, já na bruta, que poderá estar relacionada com alguns cuidados da instituição hospitalar”, esclareceu o especialista.

Segundo Damião Victoriano, apesar de a diferença não ser abismal é possível reparar que houve uma ligeira diminuição, por isso, a sua equipa está a trabalhar dia e noite para baixar ainda mais este número.

“Acredito que se na periferia estivessem a assistir os pacientes com tuberculose sensível e o abandono do tratamento fosse reduzido, assim como o abandono familiar, teríamos o índice de mortes baixo”, reforçou.

Melhorar a assistência nas periferias O Sanatório, neste período de calamidade causada pela Covid- 19, tem registado grande fluxo de pacientes, tendo em conta que diariamente internam entre 15 a 20 novos doentes.

Com as visitas temporariamente suspensas, a instituição assegura todas as despesas dos utentes, sobretudo com fármacos para doentes de tuberculoses e VIH, que contam com o fornecimento dos programas ligados a estas patologias. O entrevistado explica que o fluxo tem vindo a aumentar devido às restrições de alguns serviços a nível das unidades sanitárias na periferia.

Anteriormente, o atendimento no Sanatório era limitado, recebiam apenas os doentes com tuberculose resistente, mas agora mudou.

“Por conta da Covid-19, estamos a receber também pacientes com tuberculose sensível, mesmo havendo técnicos formados nas unidades sanitárias da periferia para atender patologias deste nível. Outra situação constrangedora é a afluência de doentes vindos de casa.

O normal seria receber apenas os pacientes transferidos, mas, infelizmente, acorrem a instituição doentes vindos directamente de casa”, sublinhou.

Os doentes que acorrem a unidade sanitária vêm dos mais variados municípios e distritos, entre os quais Viana, Cacuaco e Ramiros, por exemplo, facto que tem preocupado a direcção do Sanatório, devido ás fronteiras que atravessam para chegar ao hospital.

Combate à tuberculose envolve diferentes sectores

Damião Victoriano, explicou que para melhorar o problema da tuberculose é necessária a envolvência de diferentes sectores, não apenas o da Saúde, mas também o da Educação, Construção, MASFAMU, entre outros, incluindo a sociedade civil, já que o objectivo é salvar vidas.

Apesar do período que o país vive, por causa da Covid-19, o Hospital Sanatório não registou números de abandono elevados. Até ao dia desta reportagem, o diretor clínico afirmou que não registaram casos positivos da Covid-19, e acrescentou que têm realizado alguns testes aleatórios, nas Quartas, Quintas e Sextas-feiras.

“Não temos nenhum caso suspeito, os testes foram realizados tendo em conta que é uma unidade com patologia propensa a contrair o vírus, para além de ocorrerem também pacientes do fórum respiratório no hospital”, frisou.

Quanto ao material de bio-segurança, disse estarem assegurados. As formações nas unidades sanitárias da periferia, para atenderem doentes com tuberculose sensível estão suspensas, mas a nível da instituição continuam as formações para toda a equipa técnica e não só, no sentido de estarem preparados para lidarem com eventuais casos de Covid-19. “Temos um plano de contingência que agrupa todo o pessoal que trabalha na unidade sanitária. Os resultados já são visíveis, a partir da entrada do hospital”, gabou-se.

O especialista em pneumologia lembrou que a unidade sanitária tem 267 camas e actualmente controlam 247 pacientes, muitos destes estão internados não porque padecem de tuberculose, mas sim de diferentes patologias e muitas delas associadas com o VIH ou diabetes.

Sobre as obras do futuro hospital, sublinhou que estão no bom caminho, embora o estado de emergência tenha atrasado o seu curso.

Damião Victoriano apelou aos doentes, sobretudo os que padecem de tuberculose, a cumprirem as regras básicas de segurança, de modo que não venham se sentir-se culpados se que alguém ficar infectado por sua causa.

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