União dos Escritores Angolanos promove sessão de venda de livros

A iniciativa visa proporcionar momentos de boa leitura aos munícipes neste período de Calamidade decretado pelo Executivo angolano por conta da Covid-19 e insere-se na estratégia da maior editora do país, segundo o secretário-geral, David Capelenguela

Vinte e cinco títulos de autores angolanos estão a ser comercializados a preços módicos desde Segunda-feira, em Luanda, pela União dos Escritores Angolanos, a maior casa de letras do país.  

A iniciativa inserida no quadro da estratégia daquela editora, visa proporcionar ao público momentos de boa leitura neste período de calamidade decretado pelo Executivo angolano face à Covid-19.  

Entre os títulos seleccionados, cujos preços variam entre 500 e mil Kwanzas, destacam-se “Estórias do Musseque” de Jofre Rocha, “Imitação de Sartre e Simone de Beauvoir” de João Melo, “Sublimação de Aresta” de Fernando Kafukeno, “A Estrada da Secura” de Luís Kandjimbo, “Tábua” de Adriano Botelho de Vasconcelos, “Duas Faces da Esperança” de António Quino, Cronicas do Sol e da Chuva de Arnado Santos, “Asas do Sonho Ferido” de Pombal Maria e tantos outros.  

Respigos de alguns títulos  

Em “Estórias do Musseque”, de Jofre Rocha, por exemplo, um livro inserido nesta primeira sessão de vendas, o autor refere-se aos musseques de Luanda consagrados pela literatura angolana como factor de resistência ao poder colonial português, sinónimo de angolanidade;  

Local de morada de uma população pobre, que no decorrer dos últimos anos do processo colonial foram inchando, cada vez mais marginalizados económica e socialmente.  

O autor conhece e viveu essa experiência, quer no antigo musseque que se foi deteriorando, quer no novo musseque suburbano. A população resiste à “renovação” urbana que a expulsa dos musseques mais antigos, face à valorização do solo e ao objectivo de isolá-la em áreas mais facilmente controláveis.  

Jofre Rocha oferece um quadro das variáveis sociais, focalizando não só o musseque mas também a sociedade colonial como um todo, e localizando situações no momento da ruptura entre a socie dade tradicional e o irromper do nacionalismo, quando os colonos já passam a se sentir inseguros.  

O recurso à linguagem local de Luanda, através de uma forma estilística extremamente sugestiva, situa Jofre Rocha como um escritor original e criativo.  

Já em “Cronicas do Sol e da Chuva” de Arnado Santos, também seleccionada neste processo, o autor começa a história com quatro crianças que estavam de férias num hotel em Parati.  

Lá encontram um fantasma português e sentimental que pediu a ajuda deles para encontrar o seu tesouro perdido há mais de um Século, mas, para isso, teriam que matar a charada do sol e da chuva!  

É uma história com mistura de mistério e aventura, que vale a pena ler e é uma óptima distracção para as férias. Da vasta obra do escritor Botelho de Vasconcelos foi escolhida “A Tábua”, que reúne cerca de 50 poemas em 130 páginas. 

 Um livro resultante do trabalho que iniciou em 1989 com Anamnese, publicado em Portugal. Nesta obra, a marca e o esquecimento confluem, denotando que os versos constroem-se de jogos de aparentes paradoxos que se conjugam harmoniosamente para deixarem de o ser e se tornarem vivências.  

Alguns autores  

Fernando Kafukeno, poeta angolano, nascido a 18 de Novembro de 1962, na cidade de Luanda, fez nesta cidade capital os estudos primário e secundário, tendo depois escolhido as Ciências Sociais para dar continuidade à sua formação académica e profissional.  

Membro da Brigada Jovem de Literatura de Luanda (BJLL) desde 1983, assumiu também, a partir de 1987, um cargo de direcção da Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA). Despertando para a escrita literária na década de 80, Fernando Kafukeno faz parte do grupo de jovens que publicaram o seu primeiro livro a partir dos 30 anos de idade. 

Luís Kandjimbo  

Nasceu em Benguela, em 1960, é Membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla, incentivou a implementação da Revista Hexágono. 

 Já em Luanda, tornou-se membro, entre 1981 e 1982, da Brigada Jovem de Literatura (BJL). Em 1984, integrou o colectivo de trabalho literário “Ohandanji” ao lado de outros nomes jovens da ribalta literária, nomeadamente, Lopito Feijóo, Joca Paixão, Domingos Ginginha, António Panguila e Ana Paula Tavares.  

É membro da União de Escritores Angolanos (UEA), fazendo parte também da Association pour l’Étude des Littératures Africaines (APELA), sedeada em Paris, na França.

Em 1989, apresentou ao I Congresso de Escritores de Língua Portuguesa uma comunicação intitulada “Para a Descanibalizanização das Literaturas Africanas” que suscitou alguma controvérsia.

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