Contaminação comunitária só aos 100 casos e mortes por Covid-19 sobem para 15

Numa altura em que o país regista 43 casos sem vínculo epidemiológico, faltando 57 para declarar casos de contaminação comunitária por Covid-19, foram confirmados mais sete novos casos e duas mortes de cidadãos angolanos, elevando a cifra de mortes para 15, anunciou, ontem, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda

Franco Mufinda, que falava na habitual actualização diária dos dados sobre a pandemia no país, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda, disse que os sete casos positivos são de transmissão local relacionados com os casos que estão a ser seguidos, com idades compreendidas entre 19 e 83 anos, sendo dois do sexo feminino e cinco do sexo masculino.

Quanto às duas mortes, o governante esclareceu que um estava internado no hospital de campanha na Zona Económica Especial, com hipertensão arterial e também hábitos etílicos notáveis e fazia parte dos doentes críticos. Ele tinha 74 anos de idade.

Já o segundo era diabético, de 57 anos de idade, sexo masculino. Este teve uma paragem cardio-respiratória à sua chegada à clínica Luanda Medical Center.

Entretanto, Franco Mufinda reiterou que continuam a realizar estudos serológicos nas comunidades da capital do país. “São estudos serológicos à base de sangue em alguns grupos de risco e conglomerados, mas também ficam patentes trabalhos de rastreio ao nível dos centros-sentinela e, por esta altura, mantemos os 43 casos sem vínculo epidemiológico”, recordou.

Por outro lado, contou que estão a estabelecer uma relação entre os casos detectados para encontrar quem provocou, desvendando, assim as cadeias de transmissão.

O secretário de Estado para a Saúde Pública explicou que a transmissão comunitária se baseia em quatro cenários, nomeadamente A,B,C e D para que se possa perceber a questão da Covid-19 na sua tipologia.

“Nós chamamos de casos e vamos tendo um grupo de cadeias de transmissão de casos, alguns sem transmissão. Estamos a tentar relacionar e ainda não estamos no passo do que entendemos como transmissão comunitária”, disse.

Franco Mufinda disse ainda que a transmissão comunitária surgirá quando o país conseguir congregar um mínimo de 100 casos sem vínculo epidemiológico.

“Ao nível de Angola, temos neste momento três realidades: 16 províncias não têm casos positivos por enquanto, e nós já analisamos e processamos as amostras vindas destas províncias que estão no cenário A, sem casos positivos”, explicou.

Quanto ao enquadramento do Cuanza-Norte na cadeia de transmissão, Franco Mufinda disse que o cenário B é a situação em que se encontra esta província, que já conta com mais de um caso, sendo alguns deles de transmissão local.

Disse que alguns que geraram casos apresentam uma realidade totalmente diferente da de Luanda que já está no cenário C, onde se regista acima de um caso de transmissão bem como a realidade de conglomerados e até cenários de casos sem vínculo epidemiológico.

Franco Mufinda explicou ainda que o cenário D levará a despoletar ao que se entende como transmissão local, de modo que quando se chegar ao número de 100 casos sem vínculos epidemiológicos e sem desvendar as cadeias de transmissão na construção da árvore epidemiológica, aí poder-se-á falar em transmissão comunitária.

“Por esta altura, temos 43 casos sem vínculo epidemiológico. Estamos praticamente na metade do que é expectável para declarar a transmissão comunitária, numa definição clássica da circular emitida ontem pela Direcção Nacional de Saúde Pública”, afirmou.

Segundo o Secretário de Estado, deve-se reconsiderar seriamente a observância das medidas, a não violação das cercas sanitárias que levaram à realidade que se passa na província do Cuanza-Norte, que está presentemente no cenário B.

Franco Mufinda alertou para a obrigatoriedade do uso da máscara, a lavagem frequente das mãos com água e sabão, o acatamento das medidas contidas no decreto de calamidade pública, bem como o distanciamento físico e social que são elementos que poderão travar e cortar a cadeia de transmissão, sendo que o único passo é o confinamento.

“Portanto, vamos aceitar que a Covid-19 existe. A doença é invisível e mata. Infelizmente, reportamos mais óbitos hoje, o que é triste”, recordou.

291 casos infectados pela Covid-19 no país

As estatísticas indicam para que 291 infectados, dos quais 97 recuperados, mais quatro em relação ao dia de ontem, 15 óbitos e 179 casos activos. A transmissão local passa a contar com 211 casos.

O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu, no mesmo período, 132 chamadas, das quais três denúncias de casos suspeitos de Covid-19 e 129 pedidos de informação sobre o vírus.

Fez saber que nas últimas 24 horas conseguiram processar 332 amostras, das quais sete foram positivas.

Em relação às actividades laboratoriais, Franco Mufinda fez saber que o país tem um acumulado, até à presente data, de 25.586 amostras recebidas, das quais 291 positivas e 19.853 negativas, encontrando-se o restante em processamento.

“Conseguimos processar 174 amostras, das quais oito foram positivas”, precisou.

Disse ainda que 1.308 pessoas observam a quarentena institucional em todo o país e que foram atribuídas alta a 25 pessoas, sendo nove na província de Luanda, Cabinda e Cunene seis respectivamente, Luanda-Norte duas e Cuando Cubango e Malanje com uma cada.

Mais de 2.000 contactos sob investigação  

Franco Mufinda disse que há ainda 515 casos suspeitos investigados, enquanto os contactos sob investigação são 2.215 pessoas.

No que tange à actividades de algumas províncias, disse que no Bengo foram realizadas acções de sensibilização sobre as medidas de prevenção da Covid-19, no município de Nambuangongo.

Na província de Benguela, advoga-se a sensibilização e rastreio nos principais pontos fronteiriços da província. Malanje é a sensibilização da população sobre as medidas de prevenção da Covid 19, no município de Malanje. No município de Catchiungo, Huambo, realizou-se uma actividade semelhante, como o objectivo de sensibilizar o autor da mesma.

Na Lunda-Sul fez-se o rastreio aos passageiros nos municípios de Saurimo, Cacolo, Muconda e Dala.

No Moxico, a desinfecção do jardim da administração e agência do BPC, no município do Alto Zambeze, e algumas palestras foram realizadas no mercado do bairro Zorro.

O secretário de Estado para a Saúde Pública fez saber que chegou ontem ao país mais um contingente de material de biossegurança e equipamentos hospitalares, provenientes da China, uma aquisição do Executivo angolano.

Salientou que continuam com a distribuição do referido material e equipamentos ao nível das províncias, bem como as formações.

 

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