Cidadãos julgados por tentarem comercializar chimpanzé morto com tétano

O Tribunal Provincial de Cabinda julga dois cidadãos nacionais por tentativa de comercialização de um kalita, filhote de chimpanzé, de 4 anos, que morreu com tétano. Os cidadãos foram detidos em flagrante, no ano passado, e estão a ser julgados por tráfico de animais em vias de extinção e cuja criação e comercialização é proibida por lei

O combate acirrado aos que põem fim à vida selvagem tem sido um trabalho diário da equipa de fiscalização do Parque Nacional do Maiombe, em Cabinda. É assim que, no dia 10 de Agosto de 2019, às 10h30, o administrador do Parque Nacional do Maiombe recebeu uma denúncia anónima que dava conta de dois cidadãos, numa viatura Toyota Corolla, que transportavam uma cria de chimpanzé com o objectivo de a comercializar. 

Em parceria com a Polícia, foram feitas diligências e os cidadãos Afonso Gomes, de 31 anos, suposto proprietário da cria de chimpanzé, e Salomão Mavungo, de 38 anos, motorista, foram apanhados em flagrante delito.  

De acordo com o administrador do parque, José Bizi, em entrevista exclusiva ao jornal OPAÍS, está marcada para o dia 10 do corrente mês a leitura da sentença, pelo 3º Cartório do Tribunal Provincial de Cabinda, dos dois traficantes que tentavam comercializar um kalita, filhote de chimpanzé, que morreu com tétano. 

Dos dois cidadãos julgados, um é o traficante e outro é o motorista, pelo que a Lei coloca os dois a incorrerem num crime com moldura penal que vai de seis meses a três anos de prisão. Os dois foram apanhados numa casa onde pretendiam negociar o chimpanzé.  

“A nossa missão específica não é deter as pessoas, mas sensibilizá-las a absterem-se da caça de animais protegidos por lei e sobretudo em vias de extinção. Temos trabalhado com as comunidades para que protejam estes animais, com maior realce aos grandes primatas”, disse. 

Os grandes primatas são uma espécie específica de África, segundo o entrevistado, e não de todos os países deste continente, mas os que banhados pela bacia do Congo, nomeadamente, Angola, RDC, Congo Brazzaville e Gabão. É esta bacia que tem o habitat natural dos grandes primatas, pelo que estes devem ser protegidos, dada a sua raridade. 

A bacia do Congo é tida como o habitat natural dos grandes primatas porque estes alimentam-se de frutos silvestres que neste local se encontram em abundância. 

O combate à caça furtiva tem sido acirrado, principalmente quando se trata de grandes primatas, porque, José Bizi disse, estes animais catapultam o turismo. “Com as nossas acções, temos vindo a registar uma diminuição deste tipo de caça na nossa região e a prisão destes dois indivíduos mostra isso”, reforçou. 

Desemprego pode ameaçar combate à caça furtiva

Por outro lado, o entrevistado falou da necessidade de se criar um santuário dos grandes primatas em Cabinda, embora estes animais também apareçam em Luanda, e transformar este local em grande centro turístico para quem quiser apreciar esta espécie animal. Para além disso, o santuário poderá dar emprego a muitos jovens da localidade, visto que parte destes vivem da caça, pesca e agricultura.

Com um santuário, e no seu habitat natural, será possível reabilitá-los e soltá-los em famílias, para que consigam defender-se em manada, bem como reproduzir-se.

“Cá, no Maiombe, nós notamos ainda um índice elevado de desemprego, de pessoas que sobrevivem da caça, por exemplo, e que dadas as campanhas de sensibilização que temos vindo a desenvolver, muitos se abstêm de tais práticas. Nesta linha, a mensagem é bem recebida, não temos uma população agressiva e nunca tivemos resposta da população contra os fiscais, mas temos o problema do desemprego, que temos de encontrar solução”, defende.

O administrador do Parque é de opinião que se criem políticas para que estes jovens desempregados consigam algum emprego junto dos pequenos empreendedores, turismo, etc., para que não voltem para a caça furtiva. 

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