‘Não há nada para Europa’: EUA são criticados por reservar quase todo o remdesivir dos próximos meses

A administração Trump assegurou a pré-encomenda de mais de meio milhão de medicamentos remdesivir, representando mais de 90% das doses até Setembro, e 100% da quantidade de Julho

O Departamento de Saúde dos EUA anunciou numa declaração, na Segunda-feira (29), que a administração Trump havia pré-encomendado mais de 500 mil medicamentos remdesivir, os primeiros aprovados no país para o tratamento da Covid-19.

A tentativa da administração Trump de assegurar todas as reservas de remdesivir, um dos primeiros medicamentos aprovados para o tratamento da doença provocada pelo novo coronavírus, levantou preocupações de especialistas no Reino Unido, já que os medicamentos comprados por Washington são tudo o que a fabricante Gilead poderá oferecer ao mundo nos próximos três meses, informou o jornal Guardian.

“Eles têm acesso à maior parte do fornecimento de medicamentos [remdesivir], portanto não há nada para Europa. Esta é a primeira grande droga aprovada, e onde está o mecanismo de acesso? Mais uma vez estamos no fim da fila”, disse o dr. Andrew Hill, pesquisador sénior da Universidade de Liverpool, Reino Unido, citado pela mídia.

Hill criticou a Casa Branca pela acção unilateral.

“Imaginem se fosse uma vacina”, sugeriu, ressaltando que, se fosse esse o caso, a questão se tornaria uma “tempestade de fogo”.

O acordo alarmou o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, que alertou que “é do nosso interesse trabalhar em colaboração e cooperação para manter os nossos cidadãos seguros”.

EUA garantem medicamentos valiosos

As doses de remdesivir compradas pelos EUA representam toda a produção de Julho, e 90% do que é programado para Agosto e Setembro. O remdesivir é patenteado pela Gilead, não havendo nenhuma outra empresa autorizada pela lei comercial a produzi-lo.

“O presidente Trump fez um acordo incrível para garantir que os americanos tenham acesso à primeira terapia autorizada para a Covid-19”, disse o secretário de Saúde norte-americano, Alex Azar.

“Na medida do possível, queremos assegurar que qualquer paciente americano que precise de remdesivir possa obtê-lo. A administração Trump está a fazer tudo o que está ao nosso alcance para aprender mais sobre a terapia que salva vidas da Covid-19 e garantir o acesso do povo americano a essas opções.”

Além da dexametasona esteróide, o remdesivir é o único medicamento aprovado como tratamento contra a Covid-19. A dexametasona, explorada há 60 anos, permanece barata e disponível, sendo talvez a única opção acessível para o resto do mundo antes da chegada de uma vacina.

Os EUA também estariam a tentar garantir as reservas de vacinas. Segundo disse o CEO da Sanofi, Paul Hudson, Washington tem o direito de fazer a maior pré-encomenda se a vacina da empresa for comprovadamente eficaz, “porque investiu em assumir o risco”. Estas observações receberam duras críticas do governo francês, e mais tarde as palavras do presidente-executivo da Sanofi foram refutadas pelo director da empresa, Serge Weinberg.

Os Estados Unidos registaram até agora mais de 2,6 milhões de casos de Covid-19, com mais de 127.000 mortes, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, EUA.

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