O silêncio da luz

Os aplausos devem ser dirigidos ao Governo, a uma política traçada lá atrás e que aos poucos vai dado resultados. Poderia ter dado mais, é verdade, mas já se nota, para quem o queira, resultados que nos mudam a vida, de alguma forma.

Estou a falar da energização do país, a electrificação.

Voltemos uns dez anos no tempo, fechemos os olhos e coloquemo-nos em Luanda, saíamos para dar um passeio. Estaremos numa cidade completamente diferente, numa cidade pré-Laúca, pré, ampliação de Cambambe.

Estou a ver-me numa cidade com muitas manchas escuras, com os postes de iluminação sem saber qual é a sua função. Estou a ver-me a subir as escadas de um edifício porque elevador é um luxo para muito poucos. E vou subindo, cansado, a transpirar porque em Luanda o calor é sempre uma presença, tal como uma música que toca em todos os andares, em todos os apartamentos: a música dos geradores. Cada apartamento com o seu, ligado. Nesta altura, há dez anos, aquele ronco faz já parte de mim, de qualquer cidadão, já não incomoda, é o ambiente envolvente, natural.

E poderia estar a subir com mais um jerrican de combustível. E a pensar em como fazer subir água para o banho da manhã seguinte.

Hoje, a realidade é muito diferente para boa parte dos cidadãos de Luanda. Talvez em boa parte dos cidadãos de outras cidades.

Há muito do nosso país às escuras. Muito. Mas pelo menos há silêncio, um silêncio que começou a ser desenhado há mais de década. Que se agudizará quando Caculo Cabaça entrar em funcionamento também. Não se nota muito, mas aqueles da Energia podem ter saldo positivo daqui a cinco ou seis anos.

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