SIC detém supostos assassinos do comandante do posto da Polícia da Boa-Fé

Perci, Saraiva, Da Beleza, Zandu e Pausado são os nomes pelos quais são mais conhecidos os cinco cidadãos, com idades compreendidas entre os 26 e os 53 anos, que supostamente assassinaram o inspector-chefe António Faustino Luamba, de 44 anos, comandante do Posto de Polícia do bairro da Boa-Fé, município de Viana, em Luanda

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda esclarece que a detenção dos suspeitos ocorreu por volta das 5horas de ontem, no decurso de trabalhos de combate aos crimes considerados violentos.

O “quinteto mortífero”, como está a ser designado, está a ser acusado pela prática dos crimes de associação de malfeitores, roubo qualificado e homicídio voluntário por disparo de arma de fogo.

De acordo com um comunicado de imprensa do SIC, a que OPAÍS teve acesso, os marginais assassinaram António Luamba, por volta das 19h45 de Segunda-feira, 29. “Quando a vítima, em cumprimento de uma missão de serviço de patrulhamento na zona limítrofe entre Viana e Cacuaco, deparou-se com a acção dos marginais num assalto a pacatos cidadãos na via pública, no bairro Belo Monte”, diz o documento.

Os marginais estavam munidos de armas de fogo do tipo pistola modelo Barack e AKM de cano serrado e no momento em que praticavam as suas acções, aperceberam-se da presença de uma patrulha policial, abriram fogo atingindo mortalmente a vítima na região lombar e fugiram.

“O marginal Perci foi o autor do disparo que vitimou o Comandante do Posto Policial.”.

Em resposta, os agentes da Ordem que integravam a patrulha responderam na mesma proporção e atingiram o antebraço de um dos presumíveis marginais que responde pelo nome de “Zandu”, enfermeiro de profissão.

No decorrer das investigações foram apreendidas duas armas de fogo em posse do mesmo, duas armas de fogo dos tipos pistola e AKM (arma de guerra), utilizadas na acção e uma motorizada de marca Lingkente, de côr preta, que servia de apoio às suas acções ilícitas. 

Conforme noticiou ontem OPAÍS, o oficial e a sua equipa efectuavam uma operação conjunta dos comandos municipais de Viana e de Cacuaco,visando a reposição do sentimento de segurança na zona, na sequência de relatos dos populares daquela circunscrição.

Faustino Luamba foi morto numa zona escura e, depois de consumarem o acto, os marginais ainda retiraram da vítima os seus pertences, segundo depoimentos feitos à imprensa pelo porta-voz da Polícia em Luanda, Nestor Goubel.

“O inspector-chefe foi morto quando exercia as suas funções em mais um dia de cumprimento de dever na fronteira entre o município de Viana e o de Cacuaco, onde diariamente eram incrementadas medidas de combate à criminalidade”, frisou.

Nestor Goubel disse que o inspector-chefe Luamba havia dito ser necessário pensar no apoio que a sociedade deve prestar à corporação, pelo facto de a criminalidade ser um fenómeno social e que para a sua contenção são precisas outras forças.

O porta-voz da Polícia apelou para que a população não espere que apenas os agentes façam o trabalho sozinhos, solicitando maior colaboração dos munícipes da capital do país.

“Nos sentimos órfãos também do comandante Faustino. Nós saímos todos os dias das nossas casas, mas queremos muito que a sociedade reflita sobre isso.

Nos sentimos órfãos de um colega que diariamente estava connosco e no fim do dia regressava para os seus, porque nós merecemos regressar também para junto dos nossos”, lamentou.

error: Content is protected !!