Venda, “pano do Congo”, comidas e tecnologias: no lote das startups de jovens angolanos agraciados com USD 10 mil

A fazer jus à palavra “empreendedorismo”, cinco jovens angolanos acabam de ver os seus horizontes ampliados, fruto de, com a genialidade de suas ideias, terem apresentado propostas que convenceram um júri e por via disso, encaixaram um financiamento de USD 10 000

Tratam-se de jovens participantes do concurso “Quem Quer Ser Empreendedor (QQSE)”, uma iniciativa da Embaixada dos Estados Unidos de América em Angola que, vinha decorrendo desde 2018 e que esta semana conheceu o desfecho com a publicação dos nomes dos cinco vencedores.

Soraya Santos, a única contemplada do género feminino, serviu-se das cores alegres do pano africano (pano do Congo) para apresentar a criação de artigos para uso doméstico, tais como bases, toalhas, guardanapos, entre outros.

Edulson Albino da Cruz Júlio empreendeu no ramo do campismo, serviu-se do atrativo e ainda inexplorado “turismo de aventura” para apresentar a G.O. Kambas como uma proposta de trabalho materializável nesta imensa Angola, abrindo-se a sua frente um vasto campo a explorar.

Quando aparece que temos oferta mais do que suficiente no ramo da culinária, CHILLOP é a startup apresentada pelo jovem Gelson de Oliveira cujo fundamento é “um novo conceito de food truck fast food” com um toque de introdução de asinhas e costelas de leitão grelhados a oferecer na modalidade de take away. Com isso o jovem empreendedor convenceu o jurado e consta da lista dos cinco vencedores.

E porque não basta vender, Valdemar Dinis Hoque, encaixou os USD 10 mil com a sua HL SHOP que leva um “produto com bom custo e benefício ou para criar lojas e vender os produtos para o consumidor final”.

E finalmente, para não variar, o imenso oceano de oportunidades que são as tecnologias, levaram Edilson Pires com a sua EPDRONES a constar entre os felizes contemplados ao apresentar “soluções tecnológicas nos ramos de agricultura de precisão, inspecção em construção civil e engenharia, mapeamento de terrenos, buscas e resgate e videografia, com recurso ao uso de drones” como proposta da sua startup.

Pelo tipo de escolha, os caminhos tendem a indicar que em um mercado onde abundam iniciativas, o segredo parece residir na originalidade das propostas e na imaginação e engenho, ficando desde logo o alerta para outros, que mais do que iniciativa precisam dedicar saber e criatividade, buscando distinguir-se pela via da “originalidade do que se oferece”.

A Embaixadora dos EUA em Angola, Nina Maria Fite, afirmou na ocasião que os empreendedores desempenham um papel importante na procura de soluções, impulsionando o desenvolvimento e garantindo a prosperidade através do crescimento económico e do desenvolvimento social.

 “Os empresários criam inovações que permitem a cada país diversificar a sua economia e melhorar a qualidade de vida de milhões de cidadãos. O Quem Quer Ser Empreendedor visa dar oportunidades muitas vezes inacessíveis aos jovens empreendedores angolanos”.

 Segundo a diplomata, “é parte do compromisso da Embaixada dos EUA apoiar o Governo de Angola na diversificação da sua economia, assente na política comercial para África. Um empresariado inovador e forte cria as condições necessárias para que pequenas e médias empresas americanas estabeleçam parcerias com as similares angolanas, ampliando as trocas comerciais entre ambas as nações”.

Embora o empreendedorismo não seja de forma alguma a salvação, “acreditamos que o desenvolvimento de pequenas e médias empresas trabalham no sentindo de reforçar as economias locais, reduzindo o impacto de choques externos negativos. Principalmente quando estas são criadas por mulheres e minorias”.

 A diplomata referiu que “O Quem Quer Ser Empreendedor” primou pela representatividade, já que a versatilidade impulsiona mudanças socioeconómicas profundas nas comunidades.

“Estudos demonstram que negócios criados por pessoas que receberam formação desde a sua criação e que incorporam uma componente digital são dos mais lucrativos nos seus sectores. E foi isso que quisemos oferecer aos empreendedores emergentes, tornando-os parte da transformação digital, da quarta revolução industrial”, referiu a diplomata.

 A concluir, Nina Maria Fite, expressou o desejo de que o “QQSE” aumente a visibilidade e amplie o alcance para um ambiente empresarial aberto, inclusivo e acessível a todos os cidadãos. “Esperamos com o programa uma mudança de paradigma. E que a criação deste se traduza em prosperidade económica e social transformadora em Angola e em parcerias lucrativas para os Estados Unidos”, augurou a diplomata.

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