Há cada vez menos prevenção contra o ciberataque nas iniciativas de negócio em Angola

A constatação é da consultora Ernst & Young Global Limited (EY) e vem expressa num estudo tornado público ontem

Apesar do crescimento generalizado de ciberataques, apenas um terço das organizações nacionais, afirmam que a função de cibersegurança é parte activa nas fases de planeamento de uma nova iniciativa de negócio.

A conclusão é da consultora Ernst & Young Global Limited (EY) e vem expressa na vigésima segunda edição do EY Global Information Security Survey (GISS) realizada em final de 2019, onde sondou líderes de 1300 organizações de vários países, incluindo Angola.

O estudo revela que a temática de cibersegurança é considerada à posteriori pelas empresas nacionais, apesar do crescente número de ataques exponenciados, recentemente, pela Covid-19.

As organizações nacionais falham ao não considerar riscos de cibersegurança nas fases iniciais das recentes iniciativas digitais apesar dos “agentes maliciosos internos” serem motivo conhecido, e mais comum do ciberataque em Angola.

O especialista EY na área de cibersegurança, Sérgio Martins, alerta que “nos próximos meses, os grupos de activistas vão aumentar os ataques, em função da reacção das organizações à pandemia do Covid-19”.

Quase três quartos (71%) das empresas, afirmam que a relação entre a cibersegurança e o marketing é, no melhor dos casos, escassa, senão inexistente, enquanto que 86% referem uma relação neutra, enquanto mais de metade (67%) apontam relações tensas com o departamento financeiro, do qual dependem para autorização de orçamento.

No entanto, e apesar do risco acrescido, apenas 33% das iniciativas de negócio suportadas por tecnologias, afirmaram incluir as equipas de segurança desde o início dos projectos.

Sérgio Martins acrescenta que “a gestão de topo, as direcções, os CISOs e líderes da organização, devem colaborar para posicionar a cibersegurança no centro da transformação e inovação dos negócios”, tendo sempre presente que, perante a pandemia, esta colaboração é ainda mais sensível, uma vez que “estamos a viver uma grande e forte aceleração da digitalização das empresas, assim como uma activa adaptação a novos métodos de trabalho, nomeadamente o tele-trabalho, que arcam riscos acrescidos”, termina.

Em jeito de conclusão do estudo, os especialistas EY aconselham que “a relação de confiança entre departamentos deve ser construída, de forma transversal, durante o processo de transformação digital das empresas”. Segundo o estudo, o trabalho deve começar ao nível da gestão de topo, tudo para que a cibersegurança seja instituída como um activador chave de valor acrescentado.

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