Sindicato dos bancários insurge-se contra despedimento de trabalhadores do BPC

Em carta aberta endereçada ao presidente do Conselho de Administração e levada a conhecimento dos acionista, o Sindicato Nacional dos Empregados Bancários de Angola (SNEBA) invoca a pandemia da Covid-19 como razão de sobra para se adiar o despedimento assim como propõe alternativas

O Sindicato Nacional dos Empregados Bancários de Angola “insta” a gestão da maior instituição bancária pública a ponderar a situação socioeconómica e sanitária do país e o impacto emocional e psicológico nos trabalhadores na decisão de encerramento de agências e despedimento de empregados.

“A direcção do SNEBA, apôs ter tomado contacto com o conteúdo do programa de benefícios para os trabalhadores a serem despedidos, entende colocar preocupações que devem ser tomadas em conta”, refere na sua missiva enumerando a seguir o “qualificador profissional, o perfil técnico e o tempo de serviço” como factores que devem ser tomados em consideração.

Entende que, não é justo tratar o trabalhador com 20 anos de serviço e o trabalhador com 3 anos de serviço na mesma forma, pese embora, “a componente pecuniária, segundo a lei o venha a destrinçar”.

O SNEBA entende que deve ser “considerado o perfil e o qualificador profissional dos trabalhadores” ao invés daquilo que chama de “política de terra queimada”. O sindicato manifesta “estranheza” diante do facto do Conselho de Administração do BPC ter feito a comunicação ao colectivo de trabalhadores de forma “intempestiva e inoportuna”.

“Comunicar ao empregado com quem se trabalhou durante muito tempo e contribuiu para o progresso do banco, na Sexta-feira e convidá-lo a sair na Segunda-feira, não é a forma mais cordial de se tratar um trabalhador”, refere na sua missiva datada de 29 de Junho de 2020.

O SNEBA “apela ao bom senso dos accionista e do Conselho de Administração do banco, na efectivação do programa”, referindo que seria “patriótico” se a medida fosse temporizada, tendo em conta o contexto socioeconómico que o país vive, associado a pandemia que mais estrangulamento tem causado na vida do cidadão.

O sindicado refere a alta taxa de desemprego (31,8 por cento) para acrescentar que se quer agravá- la (a taxa) com o ingresso de mais 1000 e seiscentos trabalhadores do BPC, constituídos na sua maioria por jovens na faixa etária dos 25 aos 35 anos de idade, “idade activa”, citando como exemplo concreto a saída dos primeiros 192 desde o dia 29 de Junho de 2020, em resultado do encerramento de 54 agências.

O sindicato, ao invés de “despedimento” propõe que sejam exploradas nuances que possam reduzir os custos operacionais do banco, nomeadamente: averiguar a possibilidade de alocação do pessoal nas agências onde haja vaga, criação de bolsas de talentos e monitores, que deverão imediatamente absolver parte do capital humano existente, com a devida requalificação e superação, reconversão da força considerada excedentária para empresas comparticipadas do banco, dentre outras opções.

O Sindicato Nacional dos Empregados Bancários de Angola “coloca- se ao dispor do Conselho de Administração, para eventuais contactos e diálogo, salvaguardando sempre os interesses da maioria”.

A Carta Aberta endereçada ao presidente do Conselho de Administração foi igualmente enviada a conhecimento da Presidência da República, Ministério das Finanças, Instituto Nacional da Segurança Social e Caixa de Segurança Social das Forças Armadas sob o título “Despedimento e Encerramento de Agências no PBC”.

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