Supostos assassinos contam como mataram o comandante do posto da Polícia da Boa-Fé

Dois supostos assassinos do inspectorchefe António Faustino Luamba, de 44 anos, comandante do Posto de Polícia do bairro da Boa-Fé, município de Viana, em Luanda, contam, num vídeo que se tornou viral nas redes sociais como cometeram este crime

O cidadão trajado de camisola vermelha, aparentemente algemado, no interior de uma viatura, conta como ocorreu o confronto com o oficial da Polícia Nacional, conforme constatou OPAÍS no referido vídeo amador.

Um dos supostos assassinos contou que estavam na rua quando viram duas pessoas a passarem, não sabiam que uma delas era o líder da equipa encarregue de assegurar a ordem e tranquilidade no bairro da Boa-Fé.

Lhes ordenaram que parassem, com o propósito de lhes surripiarem os bens que transportavam. “Não sabia que era o comandante. Se agarramos”, contou o jovem.

Segundo o suposto assassino, António Luamba resistiu, mas com desarmado no decorrer da briga. Em resposta, o seu comparsa Perci, outro presumível marginal, efectuou o disparo contra o mais alto responsável da Polícia Nacional naquele bairro.

O acusado diz também que acabou sendo atingido por um dos disparos direccionados ao seu adversário, o oficial da Polícia.

De seguida, meteram-se em fuga, apropriando-se dos bens materiais que a vítima transportava, incluindo uma pasta contendo o uniforme da corporação.

Em posse de Perci, outro marginal que também foi detido, os agentes da Ordem encontraram a pistola, o uniforme e o telemóvel do malogrado. Perci tentou ludibriar os agentes alegando que o telemóvel era seu, porém, acabou por ser descoberto pois nele se encontrava guardado o contacto de um dos efectivos que participaram na sua detenção.

Ele e os seus colegas de crime, que se encontram sob custódia da Polícia, declararam que trabalham como mecânico (Perci), actividades que conciliavam com a vida de crime.

“Quem matou o comandante? Quem matou o comandante?” Questionou insistentemente a voz de um dos agentes que se encontravam na viatura. Os supostos marginais, em silêncio, procuravam ganhar coragem para assumir o crime que abalou fortemente a esfera policial na capital do país.

“É o Perci, chefe”, respondeu um deles. De seguida, o agente da Polícia que estava a fazer a filmagem orientou um dos seus colegas que escondesse o rosto, pois mudaria a câmara em direcção ao rosto de Perci.

“Perci mataste o comandante por que?” questionou o agente. O suposto marginal, de tronco nu, atribuiu a culpa ao seu comparsa que o apontou como o autor dos tiros. “Ele é que me mandou disparar, chefe. Nunca matei pessoa antes. Fiz o tiro para o chefe lhe largar (ao outro marginal)”, frisou.

De acordo com o presumível prevaricador, o tiro atingiu os dois, designadamente, o seu comparsa e o comandante António Luamba.

“Você matou o nosso comandante! Tens noção do que acabaste de fazer?”

Perci respondeu ser a primeira vez que tirava a vida de alguém. Jurou que o telemóvel do malogrado era seu.

Cinco marginais contra dois polícias

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda deteve, no total, cinco indivíduos, com idades compreendidas entre os 26 e os 53 anos, sobre os quais recaem fortes suspeitas de serem os autores deste crime. Os mesmos são mais conhecidos por Perci, Saraiva, Da Beleza, Zandu e Pausado.

Conforme noticiou ontem OPAÍS, o SIC esclareceu que a detenção dos suspeitos ocorreu por volta das 5 horas de ontem, no decurso dos trabalhos de combate aos crimes considerados violentos.

O “quinteto mortífero”, como está a ser designado, está a ser acusado pela prática dos crimes de associação de malfeitores, roubo qualificado e homicídio voluntário por disparo de arma de fogo.

De acordo com um comunicado de imprensa do SIC, a que este jornal teve acesso, os marginais assassinaram António Luamba, por volta das 19h45 de Segunda-feira, 29.

“Quando a vítima, em cumprimento de uma missão de serviço de patrulhamento na zona limítrofe entre Viana e Cacuaco, deparou- se com a acção dos marginais num assalto a pacatos cidadãos na via pública, no bairro Belo Monte”, diz o documento.

Os marginais estavam munidos de armas de fogo do tipo pistola, modelo Barack e AKM (de cano serrado) e no momento em que praticavam as suas acções, aperceberam- se da presença de uma patrulha policial e abriram fogo, atingindo mortalmente a vítima na região lombar e fugiram.

Explica que em resposta, os agentes da Ordem que integravam a patrulha responderam na mesma proporção e atingiram o antebraço de um dos presumíveis marginais, que responde pelo nome de “Zandu”, enfermeiro de profissão.

No decorrer das investigações, foram apreendidas duas armas de fogo em posse do mesmo, dos tipos Pistola e AKM, utilizadas na acção e uma motorizada de marca Lingkente, de cor preta, que servia de apoio às suas acções ilícitas.

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