Carta do leitor: Angolanos esquecidos

Por: Luís Fontoura
Luanda

Caro director

Estão a chegar muitos pedidos de ajuda de angolanos que estão no estrangeiro. Todos eles querem voltar, mas alguns até vivem lá, só que como as coisas apertaram com a pandemia e as quarentenas, perderam os empregos, ou porque não têm mais como receber dinheiro de Angola, agora querem voltar e de boleia do Governo.

Mas também há aqueles que estão mesmo aflitos e que o Estado deve apoiar. Aliás, já cá deviam estar.

No início do estado de emergência, quando se decretou a quarentena, o Estado organizou voos para Portugal e vimos todos quem veio naqueles aviões. Foi a nossa elite, os seus filhos. Já para os pobres, o Governo não se mexe com a mesma rapidez.

Mas quando foram buscar os deles trouxeram também o coronavírus, porque os filhinhos de papá não ficaram em quarentena. Estes que estão lá agora, no Brasil, Portugal, África do Sul e noutros países, se voltarem, podem ficar nos centros de quarentena que o Governo criou, ou não criou afinal, era só propaganda? Ou Angola tem filhos e enteados?

É muito triste ver pessoas a receber comida das igrejas e nas ruas a mandar vídeos a chorar pela ajuda do Governo e do Presidente da República. O país lhes esqueceu. Mas vai se lembrar deles na hora do voto.

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