Covid-19 com 18 novos casos, 19 mortes e 68 fontes de transmissão por desvendar

As autoridades sanitárias registaram, ontem, mais 18 novos casos de Covid-19, dos quais dois na província do Cuanza-Norte, elevando para 11 e um óbito de um cidadão angolano de 67 anos de idade, perfazendo um total de 19 mortos, anunciou, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda

Um cidadão angolano de 67 anos de idade faleceu no banco de urgência do Hospital Américo Boavida, onde chegou praticamente com paragem cardio-respiratória, segundo Franco Mufinda.

O secretário de Estado disse que o paciente já tinha um historial de tuberculose e teve o agravamento do seu quadro. “Seguidamente se fez a colheita de amostra após morte, que acabou por evidenciar a Covid-19”, salientou.

Dos 18 detectados ontem, oito são de transmissão local relacionados a casos que estão a ser seguidos e 10 sem vínculo epidemiológico. Dentre os pacientes, 12 são do sexo feminino e seis do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 27 e os 67 anos.

O governante, que falava na habitual sessão de actualização diária sobre a pandemia no país, no CIAM, em Luanda, esclareceu que dos 18 casos positivos, dois são do Cuanza-Norte, da localidade do Cazengo, e 16 de Luanda, nas localidades de Maianga, Belas, Kilamba Kiaxi, Viana e Talatona.

De acordo com o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, registou-se, igualmente, a recuperação de mais um paciente. Assim sendo, sobem para 68 os casos sem vínculo epidemiológico no país, numa altura em que a estatística aponta para 346 infectados, com 219 activos, dos quais seis requerem cuidados especiais e os restantes estão clinicamente estáveis em unidades sanitárias de referência.

Por outro lado, 108 pessoas estão recuperados e 19 morreram por Covid-19 desde o início da pandemia. A transmissão local conta com 240 casos.

Mais de 300 amostras processadas nas últimas 24 horas

Nas últimas 24 horas foram processadas 326 amostras, sendo 18 positivas e 308 negativas. No total, disse ele, o país tem um corte até ao presente de 28.571 amostras recebidas, das quais 346 positivas, 21.693 negativas, sendo que o restante se encontra em processamento.

Por outro lado, Franco Mufinda contou que 1.006, pessoas observam a quarentena institucional em todo o país e nas últimas 24 horas atribuiu-se alta a 79 pessoas, sendo 72 na província de Luanda, quatro no Huambo e três no Bié.

Fez saber que há 515 casos suspeitos investigados, enquanto os contactos sob investigação chegam a 2.270 pessoas.

Ontem, disse, chegaram ao país mais equipamentos hospitalares e material de bio-segurança provenientes da China, adquiridos pelo Executivo.

Franco Mufinda recordou ainda que em Angola a única clínica privada credenciada para realizar testes da Covid-19 é a Medical Center e que nenhum outro procedimento, por enquanto, foi validado, sobretudo no que tange a testagem rápida. Pelo que, adverte que tudo o que vier a acontecer contrário a isso tratar-se-á de um acto ilícito e pede à população que denuncie casos do género.

“Recordamos que o Ministério da Saúde é a única entidade que valida testes. Então, tudo deve passar pelo sector da saúde através do Instituto Nacional de Investigação em Saúde”, alertou.

O secretário de Estado para a Saúde Pública disse que o problema da Covid-19 é de responsabilidade individual e colectiva.

Entretanto, apelou, mais uma vez, para a revisão da nossa conduta na adopção dos bons comportamentos, a lavagem frequente das mãos, o distanciamento físico, a não violação das cercas sanitárias, a permanência das pessoas em casa, bem como o acatamento das medidas contidas no Decreto do Estado de Calamidade Pública. “Recordamos, uma vez mais, que estamos perante um inimigo invisível que mata. Pensamos nós que ficar em casa seria uma boa opção”, advertiu.

O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu, nas últimas 24 horas, 46 chamadas, das quais sete foram denúncias de casos suspeitos de Covid-19, uma denúncia de violação do estado de calamidade e 38 pedidos de informação sobre o vírus.

De recordar que o novo Coronavírus (SARS-CoV), responsável pela pandemia da Covid-19, surgiu na China em Dezembro em 2019. O surto espalhou-se pelo mundo e vitimou centenas de milhares de pessoas, tendo levado a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia global.

Cerca de 40 polícias morreram no enfrentamento

O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, sub-comissário Waldemar José, revelou que 38 agentes da Polícia Nacional morreram nos últimos três anos em resultado de enfrentamentos.

Fez esta revelação ao abordar o comportamento de risco das populações que pode propiciar a propagação da Covid-19.

Disse que o comportamento de risco que tem sido adoptado por certos cidadãos tem influenciado consideravelmente no incremento das cifras, numa altura em que se está a ter uma subida vertiginosa no gráfico e que poderá aumentar nos próximos tempos.

Waldemar José explicou que enquanto há países que estão passando pela segunda vaga, Angola ainda se encontra vivendo a primeira, esperando o pico do número de casos e isso só pode ser vencido e controlado com responsabilidade de cada indivíduo.

Profissionais de saúde e força de segurança entre os mais atingidos pela Covid-19

Fez saber que alguns destes casos já estão a atingir dos profissionais de saúde e das forças de defesa e segurança, o que levará à diminuição da capacidade de resposta destes profissionais num futuro muito próximo. Aventou a possibilidade de alguns virem a ficar gravemente afectados e outros, provavelmente, chegarão a morrer.

Salientou que quanto maior for o comportamento irresponsável do cidadão, maior será a possibilidade de contrair essa doença e de contaminar estes profissionais com a Covid-19.

O sub-comissário disse ainda que as autoridades estão preocupadas com os óbitos, em que se tem o costume da lavagem das mãos, antes de se apresentar os cumprimentos a família enlutada, em bacias com água parada. Disse que deve ser com água corrente e que as pessoas continuam a cumprimentar dando as mãos e abraços, sendo isso propício para propagação da doença.

“Um outro gesto que pode propiciar a transmissão da doença é o manuseio das notas em dinheiro. Então aconselhamos que logo após esta prática, se desinfecte as mãos, porque a moeda circula e este é um dos grandes perigos nos mercados e no comércio em geral”, alertou.

Apelou às delegações oficiais de departamentos ministeriais, as que têm necessidade de se deslocar de uma província para outra, sobretudo de Luanda para outras províncias, a exemplo do que fazem as delegações do Mistério da Saúde, que efectuam testes da Covid-19 antes de saírem de Luanda, que as mesmas adoptassem a mesma filosofia e assim se evitar o transporte do vírus para outras províncias.

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