E as alternativas?

O que é verdadeiramente triste em Angola é a vontade de não querer pensar que muita gente tem. 

A discussão que envolve famílias de todo o país está centrada no reinício, ou não, das aulas. É bom que se discuta, mas não se deve ficar por aí, se há ou não. Há que apresentar alternativas. Infelizmente, além da promessa de condições de bio-segurança, o Governo não apresenta nada mais. Precisa-se de soluções inovadoras, precisa-se de pensar o país nas suas múltiplas realidades neste momento. Pode, sim, haver soluções diferenciadas para cada localidade. Mas é preciso pensar e conversar, o que por cá não é hábito. E ponto final. 

O que também não é hábito por cá é dar o exemplo, por parte dos governantes e elites, claro, o que no nosso país também se confunde, até em comportamentos tristes. 

Há gente que realiza eventos pseudosociais, com pseudo-glomour e divulga fotografias com roupas caras, sem máscaras sem distanciamento qualquer. Ou seja, a estupidez tem raízes impossíveis de retirar. 

E os nossos governantes que passam a vida a viajar? Tristeza pura. Ou simplesmente querem espalhar o vírus para fora de Luanda. 

Há dias circulou um vídeo com um ministro a brindar no aniversário de uma empresa pública, o tlin tlin das taças e tal. onde ficou o distanciamento? 

Na Nova Zelândia, o ministro da Saúde furou o confinamento residencial, foi a uma praia dar uma volta para espairecer… teve de deixar o Governo. Porque a primeira-ministra entendeu que os governantes devem dar o exemplo e inspirar confiança. 

É um sentimento feio, não se deve ter, mas há mesmo países que dão inveja… e uns que dão vergonha. Isto sim, se deveria sentir, mas aqui não há espaço para a vergonha. 

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