Encarregados e sindicato dizem “não” ao reinício das aulas

Numa fase em que o país entrou em contagem acelerada para a declaração de contaminação comunitária da Covid-19, os pais e encarregados de estudantes do II Ciclo do secundário dizem não haver segurança suficiente para mandar os filhos à escola, pelo que sugerem que se adie o reinício das aulas. Enquanto isso, a titular da pasta da Educação, Luísa Grilo, atirou a responsabilidade ao Ministério da Saúde para a reabertura, ou não, das escolas

Para os encarregados ouvidos por OPAÍS, com o actual cenário não se aconselha o retorno das aulas, pois a maioria das escolas públicas não apresenta condições mínimas para que os filhos estejam em segurança.

“O meu filho estuda no Puniv do Benfica. Eu visito a escola e só os quartos de banho, são uma lástima. Onde é que vão encontrar condições para melhorar a higiene e a questão da água?”, questiona Francisco António, de 50 anos, acrescentando que se depender de si o seu educando não regressará à escola.

Este encarregado diz ter dúvidas de que nas outras escolas da capital, particularmente da periferia, a situação seja diferente e sublinha que autorizar o regresso às aulas não é a melhor solução, ainda mais nesta altura em que se vê o avolumar de casos da Covid-19.

Francisco António disse que por causa da guerra civil que assolou o país ficou quase 10 anos sem estudar e manifesta-se perplexo pelo facto de o Governo ter dificuldades de anular um único ano lectivo.

Já Graciete Mucula entende que as decisões estão a ser tomadas com base nas preocupações manifestadas pelas escolas privadas, que apresentam condições diferentes das escolas públicas.

A interlocutora realça que não se pode colocar em perigo a vida dos adolescentes e crianças por causa do lucro de que os privados se queixam de estarem a perder neste período.

“Assistimos todos os dias os casos a aumentarem. Com que sentimento eu, mãe, vou mandar o meu filho à escola. É melhor que ele perca um ano e esteja em vida”, disse a encarregada, acrescentando que se não se tiver em conta a nossa realidade podemos ter resulta- dos catastróficos.

SINPROF insiste no mês de Setembro

O Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) não recua na sua posição e mantém o mês de Setembro como sendo o ideal para a retoma das aulas, segundo o seu secretário-geral, Admar Jinguma.

O sindicalista defende que nesta altura as escolas não apresentam condições de biossegurança para receberem os alunos e seria “dar um tiro no escuro”, pois não há testagem em massa para se determinar se um professor ou aluno transportará o vírus ou não à escola.

Numa fase em que o país caminha para atingir o pico da doença, Admar Jinguma reforça que a decisão do sindicato que representa é a de adiar o reinício das aulas para o mês de Setembro e alterar o calendário escolar para o modelo da UNESCO, usado em vários países da Europa, evitando, deste modo, que se perca um ano lectivo.

O SINPROF é de opinião de que as aulas só devem começar quando a situação já não inspirar cuidados e houver garantias de segurança nas escolas.

Luísa Grilo atira a bola ao Ministério da Saúde

A ministra da Educação, Luísa Grilo, garantiu que as escolas do Segundo Ciclo do Ensino Secundário têm condições criadas para o arranque das aulas, no dia 13 de Julho do corrente ano.

Em entrevista à Rádio Nacional de Angola, Luísa Grilo disse que o seu pelouro está a trabalhar com os governos provinciais, a monitorar todo o processo e que “tudo indica que há condições para essas escolas, do ponto de vista da bio-segurança e da água”.

Luísa Grilo frisou que o Ministério da Energia e Águas se tem desdobrado em muito trabalho e procurado alternativas para aquelas escolas que não estão ligadas a rede pública. Entretanto, disse que o reinício ou não das aulas depende de uma resposta do Ministério da Saúde.

“As condições estão criadas, mas tudo há-de depender das condições que estamos a verificar dos casos de contaminação. Só o Ministério da Saúde está em condições de dizer se vale a pena ou há riscos para nós iniciarmos as aulas.

Está tudo previsto, mas essa é uma tarefa que só ao Ministério da Saúde compete responder”.

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