Pequenos inventores pedem apoio para continuidade dos projectos

O projecto “Kandengues Cientistas”, actualmente com 80 crianças com habilidades inventiva e tecnológica, está a produzir sabão, álcool em gel, quites didácticos para desenvolver ventiladores caseiros e lavatório que permite a abertura da torneira com os pés. São crianças dos seis anos em diante e clamam por apoio para continuarem os projectos

Com o objectivo de distribuir gratuitamente os materiais produzidos, e ajudar na prevenção contra a Covid-19, o projecto necessita de mais apoios para fazer chegar os bens às comunidades carenciadas e continuar a produção.

Pedro Paris, mentor do projecto “Kandengues Cientistas”, uma iniciativa de base tecnológica com a função de capacitar crianças e adultos dos seis aos 25 anos, bem como descobrir o potencial que as crianças têm e livrá-las de práticas ilícitas, tais como drogas, delinquência e prostituição, falou das dificuldades por que passam.

Actualmente fazem parte do programa mais de 80 crianças, mas neste período da pandemia apenas 20 estão a produzir os projectos em carteira. Trabalham em formação tecnológica, desenvolvimento de kits solidários, designadamente a produção de sabão, álcool gel, kits didácticos para desenvolver ou produzir ventiladores caseiros.

Os Kandengues produzem ainda lavatórios de mãos sustentáveis, com sistemas que permitem a abertura da torneira com os pés, evitando assim o contágio por coronavírus ao tocar na torneira.

Quanto os trabalhos desenvolvidos  neste período de quarentena, o mentor afirmou que até ao dia da nossa entrevista já tinham sido produzidas 100 barras de sabão.

A distribuição é feita gratuitamente nas comunidades próximas do projecto (distribuído nos bairros do município de Viana, nomeadamente Estalagem, Boa-Fé, Seis Cajueiros, Papá Simão, Bairro Novo e Baixa de Cassagem).

Dada a falta de transporte, não conseguem chegar a outras zonas, para além de registarem dificuldades em obter matéria-prima para

aumentar a produção.

“Distribuímos gratuitamente porque o sabão está caro no mercado, tendo em conta que a barra chega a custar mais de mil Kwanzas, a comunidade fica dividida entre adquirir o sabão ou a comida”, esclareceu.

Se porventura aparecerem apoios para a produção de lavatórios, pretendem distribuir em locais públicos, onde se regista muito fluxo de pessoas, tais como nas pedonais e igrejas, entre outros.

Os Kandengues Cientistas produzem lavatórios simples e com capacidade de atender uma a três pessoas ao mesmo tempo.

“Por falta de apoios, foram apenas doados dois dos 20 já produzidos. Às instituições que não fazem parceria com o Kandengues, os lavatórios são comercializados, e nesta fase em que se diz que as escolas poderão abrir os pedidos aumentaram”, sublinhou.

De acordo com Pedro Paris, os Kandengues contam já com alguns parceiros como a rede de Meidiatecas, Centro Tecnológico Nacional, entre outros particulares.

Têm também um centro de formação móvel, que ajuda a levar a ciência e tecnologia a zonas periféricas, onde se registam dificuldades no que diz respeito ao ensino e a lares de acolhimento.

Antes, as actividades eram realizadas quinzenalmente, mas agora estão suspensas, por causa da pandemia da Covid-19.

Mais de 400 crianças formadas em projectos tecnológicos

Entre 2018 a 2019, a associação formou 458 crianças e 976 adultos de comunidades rurais. Todos beneficiaram de formação tecnológica gratuita, nas áreas de electrónica, programação, robótica, tecnologia de reciclagem, lixo electrónico, desenvolvimento de jogos e aplicações.

Segundo o mentor, optaram por implementar o método de ensino de criança para criança, porque defende que o processo de transmissão de conhecimento é melhor compreendido quando os mundos dos envolvidos são iguais, “criança com criança tem a facilidade de observar melhor o conhecimento”.

Para além da formação tecnológica, as crianças também têm aulas de matemática, química e física, e muitos em função das aulas já conseguem desenvolver projectos no seu dia-a-dia.

Pedro Paris explicou que as crianças são formadas em espaços alugados e em lares de acolhimento. Dos formados, uns se tornaram professores dos novos alunos da sua faixa etária e outros permaneceram nos centros da sua zona de residência.

Pedro Paris tem 32 anos, é técnico médio de telecomunicações e explicou que era com o seu ordenado de professor que conseguia custear as despesas do projecto, incluindo o pagamento da renda do centro.

Infelizmente, por causa da pandemia não tem cumprindo esta obrigação, tendo em conta que trabalha num colégio e não recebe o salário até ao momento.

O Pais

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