Comissão Multissectorial luta contra a Covid-19 24/24horas, mas enfrenta incumprimento da população

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, reafirmou, ontem, em Luanda, o esforço do Estado na aquisição de material de bio-segurança e disse que lhes magoa que se fale em corrupção no seio da Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19, uma vez que os seus membros trabalham dia e noite para tentar evitar que esta pandemia que já ceifou milhares de vidas no mundo se propague no país

Sílvia Lutukuta, que falava na habitual conferência de imprensa de actualização dos dados sobre a pandemia no país, anunciou que nas últimas 24 horas foram confirmados sete novos casos de Covid-19, elevando o total para 353 casos confirmados, dos quais 108 recuperados.

Disse, entretanto, que, dos sete novos casos positivos, dois são de transmissão local e cinco sem vínculo epidemiológico, pelo que, sobe para 73 o número de pacientes que desconhecem quem os contagiou.

Dentre os novos infectados, um é do sexo feminino e seis do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 32 e os 75 anos.

Fez saber que estes números são resultado dos rastreios que se está a levar cabo nas unidades hospitalares de referência, de testagens de contactos directos de casos positivos e de alguns viajantes que chegaram ao país nos voos humanitários.

“Vale referir que os municípios mais afectados continuam a ser Talatona, Viana, Belas, Cazenga e o distrito urbano da Maianga”, referiu.

Com estes dados, a estatística, nas últimas 24 horas indica que Maria Teixeira dos 353 casos positivos, 19 resultaram em óbito, 108 estão recuperados, 226 são casos activos, dos quais nove requerem cuidados especiais, dois estão em estado crítico e os restantes clinicamente estáveis a serem assistidos nas unidades sanitárias de referência.

Relativamente aos casos graves e recuperados da Covid-19, Sílvia Lutukuta disse estarem preocupados com a alta mortalidade que se registado no país, esclarecendo que muitos dos doentes têm outras doenças graves.

Face a isso, têm mais dificuldades em ultrapassar e, em algumas situações, chegam já mortos aos hospitais, ou em estado crítico e em pouco tempo evoluem para paragem cardio-respiratória.

Fez saber que essas co-morbilidades são associadas a doenças graves, como a hipertensão, diabetes, câncer, VIH mal controlado, tuberculoses, entre outras.

6.400 amostras em processamento

No que tange o trabalho laboratorial, Sílvia Lutukuta disse haver um total acumulado de 28.667 amostras colhidas e, destas, processou- se 353 positivos, 21.914 amostras negativas e 6.400 estão em processamento.

“Nós tivemos um aumento muito grande de número de casos nas últimas quatro semanas. E este aumento está relacionado com o incumprimento das medidas de protecção individual e colectiva, em suma, medidas de saúde pública”, disse.

No entanto, salientou que se tem notado muita gente na rua e sem necessidade, bem como muitos jovens em bares, lanchonetes e que tem havido muitas festas, nas quais não se observam as medidas de protecção individual e colectiva. Pelo que, se assim continuar, o número de infectados vai aumentar.

Recordou que o país continua em estado de calamidade e que as medidas de saúde pública determinadas para esta fase continuam em vigor, para que se possa cortar a cadeia de transmissão.

A governante garantiu que o Ministério da Saúde tem estado a fazer um trabalho profundo de acreditação das unidades públicas e privadas no que se relaciona com a testagem e os laboratórios acreditados para o efeito.

Neste momento, estão habilitados para realizar exames de Covid-19 os laboratórios do Instituto Nacional de Investigação em Ciências da Saúde, do Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA, do Hospital Geral Militar principal, da Clínica Girassol, da Luanda Medical Center e do Hospital Esperança. Salientou que mais laboratórios entrarão em funcionamento.

“Clínica Meditex não está autorizada a fazer testagem”

Em reacção a uma informação que está a circular nas redes sociais sobre a feitura de testes rápidos na clínica Meditex, Sílvia Lutukuta alertou que esta unidade não está acreditada para o efeito.

Salientou que nenhum teste rápido pode ser utilizado no país por não estarem ainda validados pelas entidades competentes, como o Instituto Nacional de Investigação em Ciências da Saúde, no caso de Angola.

A ministra da Saúde explicou que a testagem do novo Coronavírus continua a ser da responsabilidade do Ministério da Saúde, através do seu Instituto de Investigação em Ciências de Saúde, tal como a acreditação dos laboratórios, a orientação metodológica e a supervisão.

Por outro lado, fez saber que o internamento de um caso positivo de Covid 19 não é um internamento normal, igual ao de malária ou outra doença que permite circulação normal de visitas e profissionais de saúde a todo o momento. Neste contexto, está orientado internacionalmente que estes doentes são assistidos de três a quatro vezes por dia e controlados por vídeo-vigilância.

Laboratórios arrancam com novos testes de Covid-19

A titular da pasta da saúde revelou que ainda esta semana vão começar a realizar outros tipos de testes serológicos já validados por várias instituições internacionais, incluindo a FDA. Trata-se do teste mais aceitável para Organização Mundial da Saúde (OMS), que faz parte dos testes rápidos do laboratório Abbot, e que serve apenas para rastreio. Assim, se aumentará, a capacidade de rastreio, mas não dará um diagnóstico definitivo.

Este só poderá ser feito pelo teste molecular RT-PCR.

Com vista a desincentivar atitudes de cidadãos que tendem a resistir ao processo de testagem, perigando a situação sanitária da maioria, a ministra da Saúde declarou que os testes para a Covid-19 são obrigatórios, sobretudo em pessoas ou zonas suspeitas da doença.

Quanto ao manuseamento dos cadáveres, explicou que estão plasmados no regulamento sanitário internacional os procedimentos especiais a serem adoptados. Depois de mortos, são desinfectados e colocados em saco de cadáveres, sem a possibilidade de grandes manipulações, como banho e vestir. Os funerais têm de ser feitos o mais rápido possível e em horários estabelecidos.

Cerca de AKZ 43 mil milhões aplicados no combate à Covid-19

Sobre as aquisições de equipamentos sanitários para o combate à Covid-19, Sílvia Lutukuta fez saber que o Estado investiu cerca de 43 mil milhões de kwanzas e se fez grandes aquisições na China, de cerca de 544 toneladas de mercadorias.

Explicou que mais de metade destes recursos foram investidos na compra de material de biossegurança e que as doações feitas são inferiores a 10 por cento do que o Estado adquiriu.

“Portanto, estamos a falar em 544 toneladas resultantes de investimentos do Estado. Em termos de doações, não chegam a 50 toneladas e não estão contabilizadas nas 544”, disse.

Sílvia pede que se valorize esforços da Comissão

Sílvia Lutukuta apelou a sociedade, a que “agradece vivamente”, que seja valorizado o esforço que está sendo feito pelos membros da Comissão.

Questionada sobre o facto de até agora não se ter tornado público quem iria receber o material do voo da Ethiopian Air Line, o que tem suspeitas de eventuais esquemas de corrupção em torno do processo de combate à Covid-19, a ministra manifestou-se ofendida.

“Vivemos e conhecemos a situação económica difícil do nosso país e não há interesse nenhum e de ninguém, até pelos esforços, de esconder o que seja. Ficamos, assim, ofendidos, podemos dizer. Eu estou bastante ofendida e acredito que os outros membros da Comissão também vão se sentir desta forma, porque nós estamos a trabalhar sem tréguas”, frisou.

Acrescentou de seguida: “estamos aqui hoje [ontem] a fazer essa conferência, mas nós trabalhamos todos os dias e não temos hora de descanso. Estamos a trabalhar pela pátria e sentimos a responsabilidade de salvar vidas e isso é que nos norteia. É com muita mágoa que respondo a essa pergunta”.

Esclareceu que a escolha da China para a compra de materiais de bio-segurança resulta da procura por mercados mais competitivos para a compra na origem de muitos dos meios de que o país precisa.

Disse ter sido informada pelo Ministério do Interior de que alguns elementos da Polícia Nacional que facilitaram furos da cerca sanitária já estão a contas com a justiça.

Reinício das aulas pode estar comprometido

Em relação ao reinício das aulas, marcado para o dia 13 deste mês no II ciclo do ensino secundário e no universitário, disse que tudo dependerá da evolução epidemiológica. No entanto, admitiu que pela tendência de aumento de casos que se regista, a Comissão Multissectorial pode optar pelo não reinício na referida data.

Sílvia Lutukuta fez saber que a Comissão Multissectorial para Combate à Covid-19 tomará algumas medidas ao longo da semana, recuando em algumas das que estão em vigor.

Segundo a governante, serão eventualmente revistos os horários de funcionamento dos restaurantes, pelo facto de haver aglomeração de clientes sem máscaras, bem como o da prática de exercícios físicos nas pedonais.

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