Crise vai “mudar profundamente” as nossas economias, diz presidente do BCE

A crise económica gerada pela pandemia de COVID-19 vai “mudar profundamente” a economia mundial em direção à ecologia, à digitalização e à automatização e a Europa está em “excelente posição” para embarcar neste novo caminho, disse neste Sábado (4) a presidente do BCE, Christine Lagarde.

Esta crise “será uma aceleração da transformação que já estava latente nas nossas economias”, estimou a presidente do Banco Central Europeu, que participou por videoconferência das reuniões económicas de Aix-en-Seine em Paris.

“O que acabamos de viver nas fábricas, trabalho, comércio vai acelerar as transformações e provavelmente provocar uma evolução para um modo de vida mais sustentável e ecológico”, considerou.

Lagarde mencionou que o trabalho remoto vai “transformar o modo de funcionamento do conjunto dos trabalhadores”, pelo menos nos países desenvolvidos, e a “aceleração da digitalização nos serviços ou a automatização nas indústrias”.

“Estima-se que a crise deve provocar uma contracção das redes de suprimentos em torno de 35% e o aumento da robotização na indústria de 70% a 75%”, estimou.

De fato, durante o confinamento que afectou quase toda a população do planeta, o comércio online cresceu bastante. Essa evolução deve continuar acelerando no futuro “em detrimento do comércio mais tradicional”, acrescentou.

Diante desta transformação, “a Europa está numa excelente posição para embarcar nesta transição em andamento”, afirmou.

O continente “abriga os maiores sectores da economia circular e de inovação ecológica do mundo”, disse Lagarde, antes de acrescentar que o euro é a primeira moeda para emissão de dívida verde.

No entanto, considera que não “é suficiente” e que será necessário implementar um “quadro de política económica que permita mobilizar o financiamento”.

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