Fique quieto, seja um herói

Numa coisa as autoridades têm razão, quer a ministra da Saúde, quer o sub-comissário Waldemar José, por parte das forças da ordem se segurança, ambos integrantes da Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19, as pessoas não querem ouvir, não querem perceber o perigo a que estão expostas e a que se expõem voluntariamente. Vai morrer ainda muita gente em Angola até que a sociedade perceba que tem de mudar de comportamento.

No início havia o desconhecimento, e também uma péssima comunicação institucional, mas agora há já informação bastante, qualquer criança sabe que existe no mundo um perigo chamado Coronavírus e que está a ceifar vidas em todo o lado.

Nestes dias, os países que tinham aliviado o desconfinamento estão a recuar, a fechar outra vez, porque este novo inimigo não se deixa vencer com facilidade, vai dar luta, o que significa que vai matar muita gente ainda.

Toda a gente se queixa da baixa testagem em Angola, e com razão, a capacidade não é grande, o que não significa que a velocidade de propagação do vírus seja também pequena. O problema não está nos números oficias, que todos dizem serem baixos, está nos não testados assintomáticos que ninguém sabe quem ou quantos serão. Só isto deveria já servir de sinal de alerta, até porque pior do que a baixa capacidade de testagem, a de tratamento é menor ainda, por duas razões: temos um mau sistema e rede de saúde pública, e a doença não tem cura.

Há gente a assumir comportamentos suicidas, a pedi-las, como se diz, e vai tê-las. Vai doer, porque alguns nem sequer vão ficar doentes, mas matarão pessoas que amam. Arrepender-se-ão amargamente por se julgarem super-homens. Pois bem, ser herói agora não requer acção, é exactamente o contrário. É deixar-se estar isolado, é cortar a cadeia de transmissão do vírus.

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