Catete refilão

Dizem, às vezes, que refilo muito. Maldição daquele cafuso do Norton de Matos: que
dizia que catete é reguila. Coitada da minha insignificante pessoa, é mentira redonda, todos sabem. Uma vez, confesso, o meu irmão kota, acho que mandou-me comprar açúcar e pão para o nosso matabicho em casa. Refilei. Na sequência, só assustei: – Pú!  !  ! (inhinhinhinhi). O kota me atestou um murro bem atestado. Bati com a cabeça na porta. Sangue. Hospital. Um dia depois, estava curado, tive alta e foi me buscar. Me recusei a voltar para casa: no hospital, tinha boa comida e matete de mostarda, que eu adorava de muitos prazeres. 

Mas, refilo mesmo, até no bairro, com os vizinhos. Refilo nas repartições públicas, nos hospitais e clínicas e mais ainda nos bancos: 

-O Senhor, outra vez! Já vamos ver o teu assunto.
-Alguém vos ensinou a oferecer à pessoa visitante uma cadeira e um copo d’água? 
-Fidacaxa! O kota refila bwe. Kiakiakiakiakia.
(ouvi-os a coelelarem atrás da porta) 

Sento e peço para ver o gerente. O gerente nunca está e se alguma vez aparece, aparece com cara de poucos amigos, para quem, nesse instante, seria a pior hora para estragar o seu bisno com as kinguilas. Está bem: nem tudo está perdido. As operadoras de telefonia são fiéis parceiras dos seus clientes. É só carregar 4.500 de saldo de dados, e 1GB dissipa-se em duas ou três incursões na net. Qua- se que te pedem para agradeceres “o favor” acabado de prestar. 

O usuário não se meta a refilar e se fazes cobrança dos teus direitos de consumidor, ainda te conotam com a oposição. Tinhas toda a vontade do Mundo, de mandares umas bujardas, contra o nguvulu, contra toda pátria mather, mas tapas a tua boca, às vezes com a mão esquerda, outras, com a mão direita. E, por fim, optas por te conduzires na via pública com um esparadrapo, mesmo que não esteja na tua boca, fisicamente, mas é como se estivesse: a boca é que resiste a exercitar os seus mecanismos. Podes pagar a água, todos meses. Mas, os técnicos da EPAL batem a porta a ameaçar cortar o abastecimento. Pedes assistência técnica da ENDE, a brigada que chega a tua casa, examina se tens ou não uma bruta máquina estacionada à porta, e inevitavelmente pagas uma gasosa. Mas, o serviço não melhora. Num país assim: quando é que o sujeito melhora de vida? Só se for no dia de São Nunca. 

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