Lixo hospitalar deitado ao ar livre no Morro dos Veados

Uma denúncia pública feita pelos moradores da comuna do Morro dos Veados, e posta a circular nas redes sociais, dava conta do descarte, em espaço público, de lixo hospitalar, facto que coloca em risco a vida de muitos cidadãos

De acordo com a denúncia, que foi acompanhada de fotos e um vídeo, o lixo sanitário foi descartado num terreno baldio, na zona do Morro dos Veados, logo após ao Museu da Escravatura, no topo da descida, no sentido Ramiros, numa zona que também é conhecida por paragem das antenas.

Ainda, segundo a denúncia, da autoria da comissão de moradores da Vila Margarida, Morro dos Veados, o lixo foi deitado por dois cidadãos que se faziam transportar numa ambulância com a chapa de matrícula LD-28-18-FO. Após terem sido vistos pelos moradores, os mesmos foram interpelados pelos polícias da esquadra mais próxima.

O lixo deitado, como se pode ver nas imagens captadas pelos moradores, é material já usado em serviços de urgência hospitalar, como batas descartáveis, caixas de medicamentos, luvas descartáveis, seringas, máscaras cirúrgicas e balões de soro.

A denúncia dos moradores vem, não apenas pelo facto de este tipo de lixo ser perigoso, mas pelo facto de o perigo ser iminente em época de Covid-19, pois estes não sabem se tais materiais terão ou não sido usados no atendimento aos doentes de Covid-19.

A preocupação do descarte descontrolado de máscaras e luvas, senão todo o lixo hospitalar, é também da Agência Nacional de Resíduos, pois, numa entrevista concedida ao jornal OPAÍS, o então PCA da referida agência, Monteiro Lumbo, expressou esta preocupação.

Monteiro Lumbo disse que o resíduo mal-acondicionado e descartado descontroladamente constitui perigo para quem assim procede, para a sua família e amigos porque nunca se sabe quem será a vítima deste erro.

Para estes objectos hospitalares, o seu descarte deve ser responsável, colocando em lugares apropriados, embalados em sacos de plástico e incinerados. “Deve ser destruído para evitar que terceiros os reutilizem. Por serem materiais descartáveis, facilitam a propagação da doença se não formos responsáveis”, defende.

Clínicas não são postas de parte

Sobre as clínicas, Lumbo disse que os resíduos por estas unidades produzidos devem obedecer os mesmos cuidados. Nos termos da lei, devem elaborar e submeter à Agência Nacional de Resíduos o Plano de Gestão de Resíduos, um manual que defina como são geridos os resíduos produzidos.

As clínicas devem ainda contratar uma operadora especializada em resíduos hospitalares para a recolha e tratamento desses resíduos. O Plano de Gestão de Resíduos é certificado pela ANR, após confirmação “in loco” em visita técnica.

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