Angola recua nas medidas de desconfinamento em dia de record de casos positivos de Covid-19

As autoridades sanitárias detectaram, ontem, mais 33 novos casos positivos do novo Coronavírus, o SARSCoV- 2. Relataram também mais dois óbitos e 9 recuperados. Dos novos casos de infecção, cinco são da província do Cuanza-Norte e 28 de Luanda, anunciou a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, no dia em que as medidas de “descompressão” ante a Covid-19 no país sofreram um recuo, devido ao aumento de casos

Angola obteve um novo record no número de infectados num só dia desde que se registou os primeiros os primeiros casos de Covid-19. Trata-se de 33 novos casos positivos registados em 24 horas, que elevam o cumulativo para 386 infectados confirmados, dos quais 21 resultaram em óbito e foram 117 recuperados.

Por outro, a estatística indica 248 casos activos, requerendo 6 destes cuidados especiais, sendo que um deles está em estado crítico. O restante dos doentes está clinicamente estáveis nas unidades sanitárias de referência.

Sílvia Lutukuta, que apresentou estes dados na actualização diária sobre a evolução da pandemia no país, explicou que os novos contagiados, detectados ontem, têm idades que variam entre os 9 e os 71 anos. Por géneros, 11 são do sexo feminino e 22 do sexo masculino.

Esclareceu que estes casos foram detectados nas acções de rastreio que estão a ser feitas nas unidades sanitárias sentinela, nomeadamente os hospitais nacionais de referência e algumas clínicas do sector privado.

“Estes são os resultados feitos na Clínica Girassol, no Hospital Militar Geral de Luanda, Hospital Sanatório, Hospital Jorgina Machel e Divina Providência.

Para além destes, continuamos a fazer o rastreio dos contactos dos casos positivos e também a testagem dos que estão em quarentena institucional”, disse.

Em termos de distribuição geográfica de casos, os municípios mais afectados continuam a ser Talatona, Belas, distrito urbano da Maianga e Samba. Entretanto, destes novos 33 casos, cinco são de contaminação local e 28 que estão em investigação desde ontem para a determinação do seu vínculo epidemiológico.

Mais um jovem morre de Covid- 19 no país

Em relação aos óbitos, o primeiro é de um jovem de 29 anos de idade que estava internado no Hospital da Divina Providência, no município do Kilamba Kiaxi. Segundo a ministra, o doente era drepanócitico, revelou uma crise vaso-colusiva e, por outro lado, teve uma infecção respiratória aguda grave. A combinação destes factores provocou o óbito.

Segundo Sílvia Lutukuta, o segundo caso é de uma paciente de 71 anos de idade que estava internada havia dois dias num dos centros de tratamento de referência. “Era um dos casos críticos que nós tínhamos e que, de facto, tinha várias co-morbilidades que, infelizmente, teve um quadro muito grave do ponto de vista respiratório, para além de complicações das suas co-morbilidades, e faleceu”, disse.

Em relação ao laboratório, Sílvia Lutukuta explicou que o país tem agora um acumulado de 31.319 amostras recebidas, das quais deram 386 positivo, foram 23.177 negativas e 7.756 encontram- se em processamento.

Mais de 400 amostras processadas nas últimas 24 horas

Nas últimas 24 horas foram processadas 430 amostras, das quais 33 foram positivas e 397 negativas.

A governante fez saber que os casos suspeitos de Covid-19 investigados são 515, enquanto os contactos sob investigação chegam a 2.270 pessoas.

Por outro lado, Sílvia Lutukuta revelou que 935 pessoas observam a quarentena institucional em todo o país. Nas últimas 24 horas, 74 pessoas receberam alta, sendo 44 na província de Luanda, 20 no Cuanza-Norte, quatro no Huambo, três no Zaire, duas no Bié e uma no Moxico.

O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) recebeu, nas últimas 24 horas, 73 chamadas, das quais três foram denúncias de casos suspeitos de Covid-19, quatro de violação do estado de calamidade pública e 66 foram para pedido de informação sobre o vírus.

Recordou que, para além dos testes por de RT-PCR, diagnóstico definitivo da Covid-19, também foram introduzidos em Angola dois métodos serológicos: um teste que é feito no laboratório com amostras de sangue e aproveitamento de soro para a pesquisa de anticorpos relacionados com o Coronavírus; e outro que é um teste rápido da Abbot que tem as licenças da FDA e da OMS.

Ministra da Saúde confirma caso positivo no Bureau Político do MPLA

Sílvia Lutukuta confirmou a existência de um caso positivo no seio dos membros do Bureau Político (BP) do MPLA e disse que, como manda a boa norma de saúde pública de vigilância epidemiológica, todos os contactos ou as pessoas que interagiram com o membro da estrutura foram testados, salientando que isso acontece em qualquer situação e não apenas por ser membro do Bureau Político.

Mercado do Catinton testado em massa hoje

A revelação é da ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, que disse que estão a caminho seis mil testes para os mais variados mercados, começando hoje, às 8 horas, pelo mercado do Catinton, localizado no município do Kilamba Kiaxi, seguindo-se o do Km 30 (em Viana), Kikolo e Asa Branca (Cazenga) e, por último, o do Mártires, no distrito urbano da Maianga.

“Nós começamos a usar já estes testes para o rastreio, em caso de termos resultados positivos, então faremos a colheita com a zaragatoa para fazer o teste molecular com RT-PCR. Nós vamos e estamos a fazer testagem em massa”.

De acordo com a ministra da Saúde, estas são áreas de risco, de grandes conglomerados, onde se pode obter informação bastante sobre a situação epidemiológica. “E vamos fazer cerca de seis mil testes. Todos os resultados positivos terão de ser reconfirmados por RT-PCR”, frisou.

“Nós saímos de poucos casos em menos de 4 semanas, aumentou o número de casos vertiginosamente, temos de saber que a doença mata”

Os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) dizem que são necessários 100 casos sem vínculos epidemiológicos para se declarar infecção comunitária, uma realidade adiada, ontem, pela ministra da Saúde, em conferência de imprensa.

Questionada sobre os 101 casos já contabilizados, com o aumento, ontem, de mais 28 em estudo, Sílvia Lutukuta disse que apesar deste número (101) de casos sem vínculo epidemiológico, ainda não estamos perante contaminação comunitária, porque as autoridades sanitárias continuam a trabalhar no estudo para identificar os possíveis contactos dos 28 casos encontrados nas unidades sanitárias de sentinela.

“Não podemos tirar já conclusões precipitadas em relação ao número de casos sem vínculo epidemiológico, porque eu acho que mais importante do que tudo é que os angolanos percebam que o nosso quadro mudou drasticamente”, advertiu.

E continuou: “nós saímos de poucos casos em menos de quatro semanas, aumentou o número de casos vertiginosamente e temos de saber que a doença existe, que é grave e mata. É de fácil contágio e que temos de acatar as medidas de cumprimento obrigatório do Decreto Presidencial que foi hoje assinado, porque só dessa forma é que nós vamos cortar a cadeia de transmissão”.

Por outro, explicou que contaminação comunitária ou não contaminação comunitária é irrelevante em termos epidemiológicos, mas que o mais importante é que as pessoas acatem as medidas de protecção individual e colectiva para proteger o bem mais precioso que é a vida humana.

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