Covid-19: angolanos vulneráveis passíveis de contrair o vírus ou morrer no Brasil

Muitos dos cidadãos angolanos retidos no Brasil há quatro meses por causa da pandemia do novo Coronavírus são pessoas consideradas do grupo de risco e por isso vulneráveis à contaminação, segundo informações dadas pela Dra. Nilza Cristina, uma das integrantes do grupo

Nilza, que veio ao Brasil para especializar-se em cirurgia e traumatologia maxilo- facial, disse que a faixa etária do grupo é de zero a 72 anos, estando entre eles os que viajaram por motivos de saúde. São estes que estarão mais passíveis de contrair o vírus caso continuem nesta situação de exposição.

É o caso da senhora Filomena de Sá Miguel. Doente ao longo de dois anos, conseguiu ir ao Brasil em Março passado para tratar da saúde. A cirurgia que deveria acontecer em Março, acabou por não ser feita por falta de fundos. Em Abril, não conseguiu regressar a Angola. Ela e a filha que a acompanha acabaram retidas e agora já estão sem dinheiro para continuar a se manter.

Ao todo, são 234 pessoas que, assim como a Filomena, não têm mais meios de subsistência para continuarem no Brasil. A doutora Nilza Cristina é taxativa quando se refere ao que estão a passar: “temos enfrentado dias de verdadeiro terror. As condições de sobrevivência estão insustentáveis. Repito: insustentávéis”.

Além das pessoas que se deslocaram para tratamento médico, o grupo de angolanos é composto por estudantes com os seus cursos já concluídos, turistas, mulheres com bebés recém-nascidos e comerciantes. Todos eles tinham condições de regressar ao país para ficarem presos pelas medidas de isolamento impostas pela Covid-19. Muitos abandonaram os hotéis e os apartamentos por falta de pagamento e contam agora com a ajuda de amigos.

Nilza Cristina recorda que a ministra angolana da Saúde terá afirmado que haveria prioridade para repatriar os angolanos retidos nos países de maior vulnerabilidade. “Não compreendemos por que até neste momento não existe um vôo para retirar os angolanos retidos no Brasil”, já que se trata do segundo país mais contaminado e o segundo com mais mortes no mundo pela pandemia.

O apelo destes cidadãos é dirigido sobretudo ao Presidente da República, João Manuel Lourenço, como Titular do Poder Executivo, a quem cabe decidir, por último, sobre esta questão.

Fonte do Consulado de Angola em São Paulo, contactada pelo “Repórter da Diáspora”, deu a conhecer que “o único vôo realizado ao Brasil em período de pandemia resultou de um esforço pessoal da cônsul Stela Santiago”. Entretanto, sobre os que tiveram o infortúnio de não viajar, “a cônsul tem envidado esforços junto das autoridades angolanas no sentido de viabilizarem, ao menos, mais um vôo”. Como resposta, apontam- se as “condições precárias a que estão submetidos os cidadãos abarcados nessa vicissitude”.

Por seu lado, segundo a fonte “o Ministério das Relações Exterior de Angola tem dito que a decisão final é da Presidência da República”. Tanto os consulados de São Paulo, como do Rio Janeiro, quanto a embaixada em Brasília têm feito esforços junto do PR para poder repatriar os angolanos retidos no Brasil, garante a fonte.

N. Talapaxi S. (Repórter da Diáspora, São Paulo)

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