Reinício das aulas deve injectar políticas funcionais na extensão universitária

Académico espera que, com o desafio imposto pela Covid-19, os órgãos de direito implementem uma dinâmica mais efectiva nesse instrumento da formação, de modo que se formem quadros com capacidades inquestionáveis

O docente da Universidade 11 de Novembro, em Cabinda, Francisco António Macongo Chocolate, é de opinião que se adoptem políticas administrativas funcionais para a área de extensão universitária, de modo que o ensino deste nível não trabalhe da mesma forma, baseando-se mais em aspectos teóricos.

Repensar, cada vez mais, por meio de estudos, o lugar da extensão universitária, no âmbito do desenvolvimento das actividades, é outra apologia do professor que classifica a secção em causa como o elo mais fraco da missão académica neste nível.

“É necessário e urgente que se efective a institucionalização da extensão universitária acompanhada de uma política administrativa funcional para a sua materialização nas escolas do nível superior”, disse Francisco Chocolate, sublinhando o imperativo de se criarem centros de extensão com uma estrutura administrativa funcional para coordenar e executar essa política da unidade em articulação com a política nacional.

De acordo com o interlocutor de OPAÍS, no âmbito das disciplinas que leccionam, os docentes devem apresentar à direcção da instituição onde trabalham projectos de extensão que envolvam os alunos e a comunidade, propiciando a participação activa desta, de modo a acontecer a troca de ideias e experiências.

Francisco Macongo, vice-reitor para a extensão e cooperação da universidade da terceira região académica (Cabinda e Zaire) acrescentou que o processo deve incluir, na avaliação discente e docente, créditos pela participação em actividades de extensão universitária.

“Esses projectos devem atender as necessidades da população e não funcionar como requisito de assistencialismo”, realçou o chefe de secção, tendo referido projectos de estudos que são direccionados a certas comunidades que acabam por ser simples assistentes, ao ponto de não se reverem no produto final da academia.

As instituições do ensino superior são chamadas a definir um programa de trabalho para garantirem o cumprimento das normas de bio-segurança, soube este Jornal do seu entrevistado, que falou da necessidade desses estabelecimentos escolares responderem a uma grande variedade de desafios sociais, tecnológicos, políticos e ecológicos.

“É de grande importância reflectir sobre as suas opções de acção e sua efectividade, seja no plano de ensino, seja no de pesquisa ou da extensão e é sobretudo no campo da extensão universitária, considerada o terceiro pilar da missão tripartida das instituições de ensino superior”, realçou.

Métodos multidimensionais

Numa altura de mudanças profundas na sociedade, o professor Francisco Chocolate reitera a obrigação de as instituições se sentirem chamadas a pensar em alternativas voltadas para o processo de ensino-aprendizagem que não sejam só as formas tradiciopnais de salas de aulas com vários alunos e um professor.

Segundo o responsável pela extensão universitária da Universidade 11 de Novembro – Cabinda, face às grandes transformações que se espera venham a acontecer na actualidade, torna-se necessário que, tanto as instituições do ensino superior, quanto os docentes, reflictam sobre os seus papéis no âmbito da realização do conceito, a fim de que as actividades de extensão sejam frutíferas.

“Esta meditação poderá levar a uma reavaliação do conceito, a fim de que as acções em torno deste eixo aconteçam de modo que as universidades possam ter uma participação activa na construção da coesão social, no aprofundamento da democracia, na luta contra a exclusão social e degradação ambiental, na defesa da diversidade cultural”, referiu Francisco Macongo.

Para a realidade do ensino superior angolano, quer público, quer privado, o académico acha importante ressaltar que a extensão não se encontre enraizada nas universidades.

“Os órgãos de financiamento, de gestão do sector e da ciência dedicam pouca atenção às actividades de extensão”, lembrou, manifestamente entristecido, por achar que dessa forma se perde.

Finalmente, recomenda aos estudantes universitários a exigirem, na sua formação, o complemento da extensão universitária.

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