Autoridades angolanas prevêem comercializar parte considerável do carapau capturado ilegalmente

Fontes do Ministério das Pescas em Benguela avançaram a OPAÍS que as autoridades angolanas ponderam vender parte considerável do pescado capturado de forma ilegal nos mares de Benguela e a outra destinar-seá ao apoio a famílias vulneráveis. Para o desfecho do caso, o João Lourenço orientou o cumprimento da lei

Contrariamente ao que se noticiou em vários órgãos de comunicação social, tanto públicos como privados, as autoridades em Benguela referem que não se trata de apenas 800 toneladas, mas sim de 1800. Estes números avançados pelas nossas fontes já foram confirmados a OPAÍS pelo director das Pescas, engenheiro José Gomes da Silva.

Ainda de acordo com a nossa fonte, um quadro sénior do Ministério das Pescas, inicialmente, as autoridades teriam sido ludibriadas em relação aos números. O Governo só passou a ter noção real dos números depois de uma comissão multissectorial ter procedido à vistoria no interior do navio “OLUTORSKY”, com bandeira camaronesa.

Não fosse o aval que o ministro da Agricultura e Pescas recebeu do Presidente da República “segundo o qual se devia apenas agir de acordo com a lei” o navio teria saído de Benguela em direcção a Luanda e, posto lá, segundo a nossa fonte, ordens superiores teriam imperado em detrimento das normas da veda de carapau nos meses de Junho, Julho e Agosto.

“É que o Presidente João Lourenço terá posto também as mãos.

Porque, para o senhor jornalista ter uma ideia, não é a primeira vez que nós interceptamos navios a agir em contramão”, dá nota.

E mais, continua: “Em muitos casos, nós autuamos e, depois, recebemos orientações de Luanda. Eles queriam descarregar apenas em Luanda e até fizeram uma contestação ao ministro e este disse: “não, não, se foi em Benguela, então é aí onde tudo deve acontecer”. Porque “a mercadoria, afinal, está avaliada em 30 milhões de dólares”, confidencia.

Contactado por este jornal para confirmar parte dos dados avançados pela nossa fonte, o director das Pescas não desmentiu, avançando apenas que o Estado escolheu como fiel depositário do produto apreendido o empresário do ramo pesqueiro Adérito Areias.

Devido ao volume do pescado, perto de 60 camiões transportam o carapau do Lobito à Baía-Farta, onde se situa a pescaria do empresário, e a descarga deve durar por aí 3 dias. Findos os quais, segundo José Gomes, o Governo de Benguela deverá fazer um pronunciamento público, avançando mais dados.

Segundo apurou este jornal de fontes do Ministério das Pescas em Benguela, parte considerável do carapau vai ser vendido e os recursos financeiros canalizados para a Conta Única do Tesouro. Entretanto, devido ao programa de assistência a famílias carenciadas, no âmbito de prevenção da Covi-19, outra parte deverá ser dada a cidadãos e a instituições filantrópicas. Para retirar o produto do Porto Comercial do Lobito, segundo o Governo, o empresário Adérito Areias teve de desembolsar perto de 20 milhões de kwanzas.

Uma fonte próxima ao empresário avisou a OPAÍS que este não se vai envolver na venda do pescado, apenas aceitou o pedido do Governo por ser o único empresário em Benguela que tem uma capacidade instalada na ordem das 4 mil toneladas.

Saliente-se que, em declarações à imprensa, em nome dos marinheiros, Aristide Nunes revelou que o impasse se deveu à falta de resposta a uma contestação interposta junto do ministro da Agricultura e Pescas.

Constantino Eduardo, em Benguela

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