Estudo diz homens angolanos superam mulheres na defesa da igualdade salarial em funções iguais

Dois terços dos angolanos defendem que as mulheres devem receber salário igual ao dos homens com funções iguais, revelou o novo inquérito do Afrobarometer, liderado pela Ovilonogwa - Estudos de Opinião Pública, cujos resultados OPÁIS teve acesso ontem

O estudo diz que os homens são tão favoráveis à igualdade salarial quanto as mulheres e que a maior parte dos inquiridos assegurou que a paridade de género é uma realidade em Angola, sobretudo nas oportunidades de acesso à escola, trabalho e posse ou herança de terras.

À pergunta “por favor, diga-me se concorda ou discorda com seguintes afirmações: os homens e as mulheres que desempenham funções iguais, devem receber salários iguais?” 67 por cento disse concordar, contra 66 por cento das mulheres.

Entretanto, os pesquisadores afirmam que os angolanos residentes no espaço urbano são mais favoráveis à paridade salarial do que no espaço rural, numa margem de 72% contra 55%. Instados a fazerem uma discrição sobre as condições que contribuem para que haja tal desigualdade seis em cada 10 inqueridos afirmaram que actualmente, em Angola, as meninas e meninos desfrutam de igual oportunidade para estudar.

65% é de opinião que as mulheres têm as mesmas oportunidades que os homens de obter rendimentos do trabalho e 61% diz que as mulheres têm as mesmas oportunidades que os homens de comprar ou herdar terras.

“Os angolanos residentes no meio rural são tendencialmente menos favoráveis à igualdade de oportunidade entre homens e mulheres no acesso à escola, ao trabalho e na posse ou herança de terras”, diz o estudo.

No que tange os desafios que as mulheres angolanas enfrentam, os pesquisadores analisaram também outros indicadores relacionados com as oportunidades económicas e concluíram que elas são tendencialmente menos favorecidas que aos homens.

Isso ocorre no ensino secundário e ensino universitário, no processo de tomada de decisão sobre o uso dos recursos financeiros da família e no uso da Internet “todos dias” ou “algumas vezes por semana. A percentagem é de 31% mulheres e 39% para os homens.

Os pesquisadores concluíram que com isso, as mulheres estão em desvantagem comparativamente aos homens noutros indicadores relevantes como a paridade económica, incluindo obtenção de graduação académica, poder de decisão financeira e o acesso regular à Internet.

Diz que esta constatação chama a atenção para o caminho que se precisa percorrer para cumprir o 5.o objectivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, “Alcançar a igualdade de género e empoderar todas as mulheres e meninas.”

Em 2019, Angola ficou na posição 112o entre 129 países no Índice de Igualdade de Género ODS 2030.

Os pesquisadores Carlos Pacatolo e David Boio, do Ovilongwa – Estudos de Opinião Pública, esclarecem que no referido estudo que foram entrevistados 2.400 angolanos adultos, entre 27 de Novembro e 27 de Dezembro 2019.

“Uma amostra deste tamanho produz resultados nacionais com uma margem de erro de +/- 2 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%”.

O Afrobarometer é uma rede de pesquisa pan-africana e não-partidária que fornece dados quantitativos fiáveis sobre a vivência e avaliação dos africanos da democracia, da governação e da qualidade de vida.

Foram realizadas sete rondas de pesquisas de opinião pública em 38 países, entre 1999 e 2018. A 8ª Ronda está prevista em 35 países africanos, entre 2019/2020. O Afrobarometer realiza entrevistas face a face na língua da escolha do entrevistado, com uma amostra nacional representativa.

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