Sindicalistas aconselham o Executivo a criar condições para o próximo ano lectivo

O SINPROF e o SINPTENU entendem que com a subida exponencial de casos de Covid-19 é altura de se melhorar as condições das escolas e construir mais salas de aulas, aumentando, para o efeito, a fatia disponiblizada no Orçamento Geral do Estado

Para o Sindicato Nacional dos Professores e Trabalhadores Não Universitários (SINPTENU), a decisão da Comissão Multissectorial de adiar o reinício das aulas para o dia 9 de Agosto foi a mais acertada, mas defende que esta é a altura de se começar a pensar na preparação do próximo ano lectivo. 

O membro do conselho nacional desta força sindical, Zacarias Jeremias, disse a OPAÍS que sempre rejeitaram o reinício das aulas por falta de condições nas instituições de ensino, particularmente no que diz respeito a água corrente. 

Zacarias Jeremias não acredita que até Agosto haja uma redução significativa de casos de Covid-19, razão pela qual, sugere a anulação do ano lectivo 2020, enquanto preparam-se as condições para 2021. 

“Temos, por exemplo, o caso da província do Huambo onde o nosso sindicato fez um trabalho de constatação e verificamos que em mil escolas apenas 17 têm água corrente, para não falarmos da província de Luanda onde a realidade é conhecida por todos nós”, explicou. 

Zacarias Jeremias disse que com o aumento dos casos era necessário que o transporte escolar funcionasse para não permitir ajuntamentos de alunos nas paragens de táxis, uma situação que para o interlocutor está longe de acontecer. 

Perante este quadro, o sindicalista entende que é o momento de as autoridades começarem a trabalhar nas dificuldades já identificadas e preparar o próximo ano, aumentando para o efeito, o número de escolas, e melhorando as condições das que já existem. 

Zacarias Jeremias disse que caso o Ministério da Educação decida avançar com as aulas, neste ano lectivo, será apenas para cumprir calendário, sendo que os professores ver-se-ão forçados a atribuir notas acima de 10 para “embelezar” as estatísticas. 

O SINPTENU defende que a abertura das escolas é uma pressão por parte das instituições de ensino particular, justificando que este posicionamento está relacionado com a perda económica de que estão a ser alvos. Entretanto, frisou que a preparação que alguns colégios e universidades têm está de longe de ser uma realidade nas escolas públicas. 

“Falou-se do recomeço das aulas no segundo ciclo do ensino secundário, mas esqueceram-se que temos muitas crianças de 14 e 15 neste nível de ensino que não estão em condições de cumprir à risca com as medidas de segurança”, frisou.
Presidente foi sensato 

O secretário-geral do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), Admar Jinguma, começou por agradecer a posição do Presidente da República, João Lourenço, por ter autorizado o cancelamento das aulas, anteriormente prevista para a próxima Segunda-feira, 13. 

O SINPROF diz que já esperava este posicionamento, apesar do cepticismo de alguns membros do Ministério da tutela, tendo lembrado que sempre se mostrou contra o arranque das aulas antes de Setembro, pois, ficou demonstrado que as condições não seriam criadas em tempo record. 

Admar Jinguma frisou que as escolas seriam um dos locais de maior propagação da pandemia, caso o Ministério avançasse com a reabertura das aulas, devido o comportamento da população que não seria diferente nas escolas. 

Ademais, Jinguma frisou que a Covid-19 veio demostrar a realidade do nosso ensino acrescentando ser este o momento propício para que o Executivo olhe para o nosso sistema de educação e aumente a fatia alocada ao sector para que se melhore as condições em todas escolas e se cumpra os acordos internacionais ratificados por Angola. 

“Quer dizer que a preparação do próximo ano lectivo tem a ver com os recursos disponibilizados. Se andarmos sempre nos 5 ou 6 % nunca conseguiremos evitar o cenário que estamos a viver hoje e melhor as condições das nossas salas em que algumas contam com mais de 100 alunos”, apontou. 

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