Carta do leitor: Oficinas de rua

Por: Silva Mariano
Luanda

Caro director do jornal OPAÍS.

Estou a escrever só porque vi uma cena na rua que me deixou a pensar se as pessoas às vezes fazem de propósito, ou se é só falta de inteligência para perceber bem as coisas.

Vinha eu muito bem no meu carrito, na avenida Pedro Van Dunem Loy, quando, de repente, tive de abrandar, porque havia um engarrafamento. Ora chiça, mas mesmo assim aguentei, não tinha outro remédio. Fui andando, devagar, até ver a causa: um cidadão calmamente debaixo do seu carro a tentar consertar. Eram dois, na verdade.

Era numa zona inclinada. Bastava só deixar o carro descair um pouco e poderia fazer o que quisesse na berma. Tinha de ser mesmo na faixa da esquerda? Não entendi. Mas também não foi a primeira vez que vim um espectáculo assim.

Nestes casos, multa não basta. Qualquer carro pode avariar, estamos sujeitos, mas temos de respeitar os outros utentes da via. Não sei se aquele cidadão tinha noção dos transtornos que causou a muita gente.

Lembrei-me também daquelas oficinas que enchiam as ruas com sucatas, sem pensar na segurança dos outros. Pelo menos nisso devemos dar graças aos chineses, que abriram oficinas a cada dez metros.

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