Huíla fora do radar da Covid-19 e mais quatro infectados em Luanda

As suspeitas de um caso de Covid-19 no Lubango, capital da Huíla, foram dissipadas, ontem, com o resultado negativo do exame de biologia molecular, enquanto Luanda, o epicentro da doença no país, registou mais quatro novos casos nas últimas 24 horas

O secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda, disse, ontem, em Luanda, que dos quatro novos casos, registados no distrito da Maianga, um é importado da Rússia.

Deste modo, o país conta agora com 462 infectados, dos quais 396 são de transmissão local. Soma também 23 óbitos, 118 curados e 321 casos activos. Destes, oito requerem cuidados especiais, um está em estado crítico e os restantes estão estáveis.

Durante a habitual apresentação diária do balanço da situação epidemiologia do país, Franco Mufinda fez saber que os quatro novos contagiados têm idades compreendidas entre 1 e 32 anos, sendo que três são sexo masculino e um feminino.

“O caso reactivo da Huíla chegou a ser analisado na base da biologia molecular e é negativo. Por enquanto, continuamos com as províncias de Luanda e Cuanza- Norte como sendo as afectadas pelas Covid-19 em Angola”, afirmou.

No entanto, Franco Mufinda recordou que continua a intensificação da testagem na comunidade, com enfoque nos mercados, grupos de risco e centros sentinela, utilizando os testes rápidos serológicos da Abbot que têm uma alta taxa de sensibilidade e que permitem realizar o rastreio mais seguro em determinadas populações.

Ontem testaram cerca de mil pessoas na Rua 15 do bairro Mártires do Kifangondo (Luanda) das quais 69 reagiram. Destes, 63 expressaram IgG e seis pessoas foram IgM e já estão em isolamento para confirmação com exames de biologia molecular.

Sobre o teste rápido da Abbot, explicou que o mesmo revela uma reacção face a um contacto com o vírus, que pode ter sido anterior. Sendo assim, disse que há três caminhos atendiveis:

Explicou que o primeiro caminho pode concluir que há imunidade, ou seja, que se teve em algum momento contacto com o SARS-CoV 2, que é o vírus que causa a Covid-19. Neste caso, o teste expressa esta imunidade.

O segundo caminho, pode expressar estar numa fase activa da doença e o terceiro caminho é a fase da transição, ou seja, podemos passar da fase activa da doença tendencialmente para a fase de defesa do organismo, que é a imunidade. Portanto, as duas bandas podem ficar expressas em IgG e IgM.

Testes em massa aquém da expectativa dos 10 por cento

“Ao se expressar a fase activa da doença, é esta pessoa que nos interessa para isolamento, para poder confirmar, não só a pessoa que tem IgG, mas também a que tem IgM, recorrendo a biologia molecular com o uso da zaragatoa”, explicou.

Fez saber que de forma primária não foi notado o que era expectável encontrar na comunidade, uma taxa de prevalência que estaria em torno dos 10 por cento e estão aquém. Estão apenas a 4 por cento.

Porém, observa-se que deste número, 89 por cento são pessoas que já expressaram imunidade, considerando ser pouca gente, dos testados, que está na fase activa da doença, menos ainda pessoas na fase de transição, da fase activa para a imunidade.

Hoje, as equipas de testagem em massa de forma aleatória na província de Luanda serão destacadas no mercado Asa Branca, a partir das 8 horas.

Por outro lado, o governante disse que ontem se realizou testes rápidos a 250 pessoas no Cazengo, província do Cuanza- Norte. Dentre elas, 12 reagiram, sendo que nove expressaram o IgG, duas IgM e apenas uma pessoa na fase de transição.

Em relação ao laboratório, Franco Mufinda explicou que na parte da biologia molecular o país tem até ao momento um corte de 34.392 amostras recebidas, das quais 462 positivas e 29.619 negativas, sendo que o restante encontram-se em processamento.

Mais de 1.500 amostras processadas num só dia

Franco Mufinda anunciou, por outro lado, que nas últimas 24 horas processaram-se 1.586 amostras, das quais apenas quatro foram positivas.

Neste momento, os casos suspeitos investigados são 515, enquanto os contactos sob investigação chegam 2.270 pessoas. Os contactos sob vigilância somam 2.332 pessoas, ao passo que os casos suspeitos investigados até agora são 572.

Até então existiam 837 pessoas a observar a quarentena institucional em todo o país, no entanto, 118 pessoas receberam alta, sendo 87 na província do Cunene, sete na Lunda-Norte, 16 em Cabinda, cinco no Cuanza-Norte, duas no Huambo, uma em Malanje e as restantes em Luanda.

Ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) chegaram 170 chamadas, das quais duas denúncias de casos suspeitos de Covid-19, cinco denúncias de violação dos preceitos do estado de calamidade pública e 163 pedido de informação sobre o vírus.

Sobre a distribuição de materiais de bio-segurança, o governante assegurou que as províncias continuam a receber equipamentos hospitalares e testes serológicos.

Entre as actividades realizadas a nível das outras províncias, o destaque recaiu para a formação, desinfecção de lugares públicos e privados bem como a realização de palestras no seio da comunidade.

Franco Mufinda reiterou a necessidade de se evitar aglomerações populacionais, o uso de forma correcta e obrigatória da máscara facial, a lavagem com frequência das mãos com água e sabão, bem como o uso do álcool-gel para desinfectar as mãos e, sobretudo, o distanciamento social e acatar as medidas contidas no decreto de calamidade pública.

Exigência de teste provoca constrangimentos nos postos fronteiriços do Longa e Maria Teresa

O director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Interior, sub-comissário Waldemar José, explicou que com a entrada em vigor do Decreto Presidencial 184/20 entraram em cena várias normas cuja aplicabilidade provocou, ontem, alguns constrangimentos.

Fez saber que com a entrada em vigor do novo Decreto Presidencial se verificaram alguns constrangimentos à saída da província de Luanda, especialmente nos postos fronteiriços de Maria Teresa e do Longa. Isso por uma das exigências desta lei ter a ver com a obrigação de as pessoas autorizadas a sair de Luanda ou do município do Cazengo, no Cuanza Norte, fazerem a testagem de Covid- 19.

Disse que, em coordenação com as autoridades sanitárias, fez-se a mobilização de uma equipa do Ministério da Saúde que, no local, procedeu e testou os transeuntes, camionista e todo o cidadão que pretendia sair de Luanda.

“Hoje (ontem), infelizmente, por razões logísticas e operacionais verificou-se um constrangimento que originou filas intermináveis de viaturas, especialmente de camiões, estacionados, até que se ultrapassasse o constrangimento da elaboração do teste”, disse.

Waldemar José pediu desculpas aos lesados e prometeu que se vão melhorar os procedimentos para que esses constrangimentos não voltem a se verificar.

Cidadão detido por compra de falso resultado negativo de Covid-19

O sub-comissário Waldemar José também agradeceu a denúncia feita por cidadãos, por via das redes sociais, sobre a informação dando conta de que um cidadão teria comprado um certificado negativo de teste de Covid-19 por um valor de 5.000 kwanzas.

“Nós não negligenciamos estas denúncias e o cidadão em causa já está detido e será responsabilizado criminalmente por este acto. O que mais uma vez agradecemos e pedimos aos cidadãos é que continuem a denunciar as irregularidades verificadas no terreno”, pediu.

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