Jornal soviético e documentos desclassificados revelam visita de Biden à URSS em plena Guerra Fria

Se todo mundo sabia da viagem do ex-candidato Bernie Sanders à URSS em 1988, sabe- se agora que Joe Biden, rival eleitoral de Trump, visitou o inimigo norte-americano em plena Guerra Fria em 1979.

A visita ocorreu numa época geopoliticamente muito mais complexa, quando Joe Biden visitou a União Soviética em Agosto de 1979, para participar numa missão de cinco dias do Senado dos EUA para discutir questões de desarmamento.

Um breve artigo no famoso jornal Pravda, publicado em 27 de Agosto de 1979, recapitulou a visita de Biden a Leningrado (actual São Petersburgo), com uma delegação de senadores norte-americanos.

Joe Biden, que tinha 36 anos, e restantes senadores prestaram na ocasião homenagem às vítimas da Segunda Guerra Mundial num cemitério local, tendo o actual candidato democrata afirmado num discurso que “a humanidade está grata aos habitantes de Leningrado pela sua grande proeza. A paz que eles alcançaram deve tornar-se o objectivo das nossas vidas”.

Os senadores visitaram também o Museu Hermitage e a Palácio de Peterhof, antes de participar num jantar com membros do comité executivo da cidade, de acordo com o Pravda.

Biden, então senador democrata eleito pelo estado do Delaware e chefe do sub-comité de Assuntos Europeus do Comité de Relações Exteriores, liderava uma delegação de senadores em missão oficial em seguimento à assinatura do tratado SALT II de limitação de armas entre os EUA e a URSS, ocorrido a 17 de Junho de 1979, em Viena (Áustria).

O Congresso dos EUA recusou- se a ratificar o acordo, e Biden, um apoiante do tratado, decidiu levar alguns dos senadores à URSS numa tentativa de lograr a reversão da decisão. A viagem o deixou com a impressão de que a liderança soviética estava verdadeiramente preparada para empreender cortes profundos no seu arsenal nuclear e convencional, mas a guerra no Afeganistão, que começou em Dezembro de 1979 e afastaria os posicionamentos das duas superpotências, fez com que o tratado SALT II nunca fosse ratificado.

A delegação de senadores liderada por Biden também visitou Moscovo, onde se encontrou com as altas entidades soviéticas, segundo documentos recentemente desclassificados.

Recordando essas conversas durante uma visita à Rússia, em 2011, Biden disse que o líder soviético Leonid Brezhnev estava “mais doente do que pensávamos na época”. “Ele se desculpou, deixou a reunião mais cedo e delegou em seu primeiro-ministro, Kosygin, que na sua declaração inicial disse o seguinte – eu nunca esquecerei: ‘Antes de iniciarmos as nossas conversações, senador, vamos concordar que não confiamos em você, e você não confia em nós. E ambos temos uma boa razão’”, recordou Biden.

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